Setor de fundição prevê crescimento acelerado da indústria
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 13 (AE) - O conjunto de medidas que vem sendo anunciado pelo governo, como a redução das taxas de juros para investimentos e ao consumidor, a possibilidade de os devedores à Receita Federal e à Previdência renegociarem suas dívidas e ampliação do prazo para o financiamento das exportações de seis meses para 15 meses, deverão proporcionar crescimento acelerado nas atividades industriais. O prognóstico está sendo feito por empresários do setor de fundição, que esperam faturar 15% mais em 2000, pelo efeito da expansão do processo de substituição de importações, das exportações e pela ampliação do mercado interno.
O presidente da Associação Brasileira da Fundição, José Raia, disse hoje que o setor foi favorecido pela devalorização cambial. Muitas indústrias que importavam equipamentos e seus componentes até o ano passado, passaram a fabricá-los no País. Com isso, tiveram de encomendar peças fundidas às indústrias de fundição brasileira. Essa mudança no mercado evitou a queda no faturamento das fundições, disse Raia. Neste ano, as vendas da indústria da fundição deverão ficar em R$ 2,5 bilhões, o mesmo valor que no ano passado. Também as exportações deverão repetir o valor das realizadas em 1998: US$ 400 milhões.
O esperado aumento na produção de veículos, estimulado pelo Programa de Renovação da Frota, que está sendo negociado entre fabricantes, governos federal e estaduais, usinas de álcool e sindicatos de trabalhadores, deverá contribuir para o crescimento das atividades nas indústrias de fundidos. Hoje a indústria da fundição trabalha com cerca de 25% de capacidade ociosa. O setor fechou 4 mil vagas e emprega atualmente 38 mil.
Raia abriu hoje a Feira da Fundição, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo. A exposição reúne 146 empresas brasileiras
italianas, alemãs e norte-americanas. Segundo informou, a indústria representada nessa mostra tem capacidade instalada para produzir 2 milhões de toneladas e, com o reaquecimento do mercado, poderá ampliar as instalações para atender a uma demanda de 2,5 milhões de toneladas. O presidente da Abifa disse que a expansão do setor depende de financiamentos de longo prazo. Por enquanto, as indústrias contam apenas com as linhas de crédito da Finame (Agência Especial de Financiamento), órgão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujo prazo é de apenas cinco anos, com um ano de carência. "Precisamos de carência de no mínimo três anos, que é o tempo mínimo para que os investimentos comecem a apresentar resultados."


