Ribeirão Preto, SP, 29 (AE) - A oferta de fertilizantes em 1999 pode cair até 20% se o governo não aprovar uma linha de crédito de importação para as empresas do setor, segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Adubos do Estado de São Paulo, Fernando Sampaio. De acordo com ele, o Brasil produz, hoje, cerca de 50% do consumo nacional de fertilizantes, que ficou em 14,6 milhões de toneladas em 1998. Sampaio, que também é presidente da Fertiza e presidente do Conselho Deliberativo da Fertifos, informa que o setor poderá não ter condições de importar este volume de produto este ano porque, com a desvalorização do real, as linhas de crédito ficaram mais escassas.
"Com a desvalorização, o setor precisa que os bancos aumentem em 40% o limite de crédito para que se consiga comprar o mesmo volume de 1999, mas isto não está ocorrendo. O sistema financeiro não aumentou o crédito na proporção da desvalorização", disse. O presidente explica que este cenário levou o setor a pleitear junto ao governo uma linha de crédito, juros de mercado, de R$ 640 milhões a serem pagos em 2 anos, sendo 50% no primeiro ano e 50% no segundo. Sampaio informou que o governo prometeu uma resposta para a próxima semana.
O presidente da Fertiza, Fernando Sampaio, afirma que a queda de vendas registrada no primeiro trimestre foi menor do que a esperada pelo setor. "Com a desvalorização cambial, o preço do fertilizante subiu, o que aumentou o custo para o produtor. Ao mesmo tempo os preços internacionais das commodities caíram, o que fez com que os agricultores reduzissem o volume de fertilizantes utilizado", explica.
Sampaio afirma, porém, que os aumentos praticados pelo setor ficaram abaixo da desvalorização cambial. Segundo ele, a média de preços dos produtos fosfatados FOB era, em dezembro de 1998, de US$ 204,53 ou R$ 246,40 por tonelada (considerando o câmbio de R$ 1,2047). No final de fevereiro de 1999, após a desvalorização, o preço da tonelada ficou em US$ 168,91 u R$ 324 40 (considerando o câmbio de R$ 1,9206).
Sampaio explica que, enquanto o câmbio se valorizou em 59,4% de dezembro a fevereiro, os preços dos fosfatados caíram, em dólar, 17,4% e subiram, em reais, 31,7%. "Isto mostra que os ajustes nos preços do setor foram justos. Nossas margens sempre foram apertadas. Historicamente, o maior lucro registrado pelo setor foi em 1996, de 3%", afirmou.
Fernando Sampaio garantiu que o setor de fertilizantes nacional não está sofrendo com a inadimplência de agricultores que tinham dívidas em dólar. Segundo ele, de um total de vendas realizadas em 1998 de US$ 2,9 bilhões, apenas US$ 160 milhões eram atreladas ao dólar. Sampaio explica que estes financiamentos vencem entre março e abril, mas que cerca de US$ 50 milhões já foram pagos antes do vencimento. Ele disse também que ainda é cedo para que se façam estimativas de como serão as vendas em 1999. O executivo informa que a desvalorização fez com que os agricultores adiassem suas compras de insumos. "Eles estão esperando que o câmbio se estabilize para começar a comprar, o que deve acontecer entre julho e agosto", disse.

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