São Paulo, 2 (AE) - Apesar de o farelo de polpa cítrica não ser um componente da ração para frangos, o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), Ademerval Garcia, acredita que as suspeitas pela contaminação do frango e de ovos da Bélgica podem recair sobre o farelo brasileiro. "Nós já tivemos problema uma vez e, por isso, podemos ser os primeiros suspeitos", disse Garcia.
O farelo de polpa cítrica é usado exclusivamente na ração bovina, afirma Garcia. No ano passado, foi descoberto que o farelo de polpa cítrica brasileiro estava contaminado com dioxina, e por isso foram suspensas as exportações do produto.
De acordo com as expectativas de Garcia, o Brasil deve voltar a exportar polpa cítrica dentro de poucos meses. Ele explica que a normatização, pela União Européia, da quantidade aceitável de dioxina na ração animal, de qualquer origem, ainda não está pronta. A análise só é feita no produto final, ou seja, na carne, no leite ou nos ovos.
No caso da polpa cítrica brasileira, foi constatada contaminação do leite com dioxina. Depois disso, uma missão européia veio ao Brasil e impôs regras para liberar a exportação do produto. Outros farelos, como o de polpa de beterraba, subproduto do açúcar - muito usado na alimentação de frangos na Europa - ainda não têm um padrão de segurança a ser seguido, afirma Garcia.
Ele informa que a dioxina é produzida com o calor e, portanto, é provável que a fábrica, o misturador ou mesmo o armazém da ração contaminada se localize próximo de algum incinerador. A dioxina é uma substância cancerígena, mas, de acordo com o presidente da Abecitrus, existem estudos que afirmam que a quantidade de dioxina necessária para causar câncer é muito grande.

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