Setor de borracha reclama de atraso no subsídio
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Por Antônio Higa (especial para AE) 
Rio Preto (SP), 28 (AE) - O presidente da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadoras de Borracha (Apabor), Wanderley SantAnna, disse hoje que o setor vive uma situação aflitiva por causa da demora na liberação dos subsídios pelo governo federal. "São sete meses de atraso e já há pequenos produtores abandonando seringais", contou.
O pagamento da subvenção, suspenso desde outubro de 98, foi liberado segunda-feira para oito usinas já fiscalizadas, mas há mais de 30 beneficiadoras, segundo SantAnna. Por suspeita de fraude no pagamento dos subsídios, o governo criou uma comissão para avaliar a liberação das verbas.
"Somos favoráveis a isso, mas os R$ 25 milhões disponíveis deveriam ser liberados imediatamente para todos e os fraudadores, se houver, seriam punidos", declarou . O trabalho daquela comissão, segundo o presidente da Apabor, teria efeito retroativo. "Hoje, todos estão sendo punidos com esse atraso."
Segundo cálculos da Apabor, os pagamentos atrasados (outubro a abril) somam entre R$ 26 e R$ 27 milhões. "Incluindo maio, atingiriam R$ 30 milhões", afirmou SantAnna. O produtor recebe por quilo do coágulo R$ 0,34 e as usinas beneficiadoras repassam R$ 0,31 depois que o subsídio é liberado. "Sem essa contribuição, o seringalista não sobreviveria, uma vez que o custo de produção do quilo do coágulo é de R$ 0,42 a R$ 0,43", disse SantAnna.
"Estamos no vermelho, desesperados", disse o produtor Mário Valadão Furquim Neto, que tem seringais em Olímpia e Guaraçaí. "Os R$ 0,34 que recebemos por quilo do coágulo estão sendo insuficientes para fazer os tratos culturais (adubação, controle de pragas e doenças), mão-de-obra e pagar outras despesas", afirmou.
Desestímulo - Foram suspensos plantios de seringueira no noroeste paulista. "O governo está desestimulando um setor que poderia estar criando empregos, diminuindo a dependência da borracha (o Brasil importa aproximadamente 60% da que consome)"
declarou Valadão Furquim.
O seringalista diz que o Brasil poderia tornar-se um exportador. "Dispõe de áreas favoráveis para o desenvolvimento desse produto estratégico internacional."
Furquim ressaltou que foi iniciado o cadastramento dos produtores de borracha e esse serviço teria sido suspenso. "O governo teria informações do número de seringueiras (em produção e em formação) de cada produtor, a quantidade de látex colhido e outros dados que poderiam definir a verba para a subvenção econômica", disse.


