São Paulo, 22 (AE) - Depois de fechar 23,6 mil postos de trabalho em um ano, os fabricantes de autopeças anunciaram que vão voltar a contratar pessoal, mas só a partir de janeiro. Para 1999, a previsão é manter o quadro atual, de 162,3 mil funcionários. O setor está apostando na ampliação das exportações em razão da desvalorização cambial - que deixou os produtos brasileiros mais competitivos no exterior - e na provável aprovação do projeto de renovação da frota de veículos velhos.
Além disso, o processo de nacionalização de peças hoje importadas pelas montadoras também vai contribuir para o aumento da produção de peças automotivas no País. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, disse que as exportações devem crescer 5% neste ano, alcançando US$ 4,5 bilhões. O percentual só não é maior porque a Argentina, segundo maior cliente das autopeças brasileiras, deverá reduzir suas compras à metade.
No ano passado, as montadoras argentinas importaram do Brasil mais de US$ 1 bilhão em autopeças, mas, com a crise no setor, as encomendas neste ano não devem passar de US$ 600 milhões. Butori acredita que as empresas deverão conseguir novos clientes para cobrir essa defasagem, principalmente em países que produzem os mesmos carros hoje fabricados no Brasil. Já as importações do setor deverão ficar em US$ 3,5 bilhões.
As autopeças pretendem investir neste ano US$ 1,6 bilhão
montante igual ao de 1998. Mas o valor pode ser maior. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está estudando a liberação de uma linha especial de crédito para as empresas que têm projetos de nacionalização de peças. Butori disse que também está sendo negociada a liberação de créditos para as exportações.
Ano 2000 - As perspectivas positivas para o ano 2000 são um contraste em relação aos resultados do primeiro trimestre deste ano. Neste período, o setor demitiu 4,7 mil trabalhadores. O faturamento do setor em dólar caiu 41,6%, totalizando US$ 2,1 bilhões. Para o ano, a previsão de Butori é de alcançar US$ 10,5 bilhões, 27,5% a menos em relação ao período anterior. Em reais, entretanto, o resultado deve empatar com o do ano passado, ficando próximo a R$ 16 bilhões. O presidente do Sindipeças trabalha com uma previsão de produção de 1,4 milhão a 1,5 milhão de veículos neste ano.
Com o aumento das vendas de carros por conta da queda dos preços, em consequência da redução dos impostos, as montadoras, segundo Butori, deverão produzir cerca de 100 mil veículos a partir deste mês. A redução de impostos tem validade de 75 dias. A partir de maio, Butori espera que o projeto de renovação da frota (que prevê incentivos para a compra de carros novos) já esteja aprovado.
O setor inaugura amanhã a 4ª Automec - Feira Internacional de Autopeças, que será realizada até o dia 27 no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Os organizadores esperam receber 55 mil visitantes, dos quais 3 mil estrangeiros. Além de expor os lançamentos para futuros compradores, o evento promoverá intercâmbio entre fornecedores e montadoras, que vão apresentar as peças atualmente importadas que deverão ser nacionalizadas. Participam da feira cerca de mil expositores.
Nacionalização - Onze montadoras instalaram dentro da Automec escritórios para tratar exclusivamente dos contatos para aumento do índice de nacionalização. A indústria automobilística está aumentando a quantidade de peças nacionais nos automóveis que produz no Brasil como consequência da desvalorização cambial.
A Fiat quer diminuir a quantidade de peças importadas da linha Marea. O carro tem hoje 50% do seu conteúdo em componentes estrangeiros. A meta é diminuir para 30%. Segundo o diretor da Automec, Evaristo Nascimento, a decisão de participar da feira foi tomada pelas montadoras na última semana.
Essa é a primeira vez que fabricantes de veículos participam de uma exposição de fornecedores. Equipes estarão de plantão apresentando peças, conjuntos de componentes e até carros com detalhamento do que pretendem nacionalizar. A Automec é a maior feira de autopeças da América Latina. A exposição será aberta somente para profissionais do setor e, para entrar, o visitante precisa mostrar convite ou comprovante de vínculo com a área. O horário de funcionamento é das 13 horas às 20 horas.

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