São Paulo, 30 (AE) - A indústria de alimentos - exibindo bons resultados desde o início do ano - continua firme na escalada ascendente. Em maio, a produção física cresceu 5,7% sobre o mês anterior e fechou 3,5% superior se comparada ao mesmo período do ano passado.
O acumulado dos últimos doze meses, que até abril estava na casa dos 5%, mais uma vez subiu batendo nos 6,4% em relação aos últimos doze meses imediatamente anteriores. "A demanda continua firme", afirma Dênis Ribeiro, economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
Diante destes números, Ribeiro projeta alta de pelo menos 2,5% neste primeiro semestre em relação aos primeiros seis meses do ano passado. "O comportamento da indústria tem sido surpreendente", diz o economista.
Os bons resultados obtidos pelo setor permite à Abia refazer as contas para cima. A previsão, em meados de janeiro, de encerrar 1999 com crescimento de 3% cai por terra. "A forte demanda aponta para um acréscimo de 5% ou até acima", aposta. Se a produção física atingir taxas nesses níveis, explica, trata-se de um "excelente resultado" considerando que no ano passado a indústria de alimentos superou todas as expectativas e encerrou o ano de 1998 com crescimento da produção física de 4 96% e uma receita de US$ 73,5 bilhões ante os US$ 70,2 bilhões, registrados no ano anterior. "Será um aumento sobre bases altas", acrescenta.
No princípio de 1998 a projeção era de um aumento, máximo de 2,5%, chegando a refazer os cálculos para baixo, no início do segundo semestre, quando estimou resultado negativo de 0,5%.
Queda da inflação, estabilidade do dólar, superávit da balança comercial, são dados, que na opinião de Ribeiro, são responsáveis pelo bom andamento dos negócios. "Os negócios voltaram a fluir rapidamente em resposta aos sinais de estabilidade", acredita o economista.
Supermercados - As vendas nos supermercados brasileiros, em maio, também foram boas. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que o setor registrou crescimento real de 3,52% sobre o mês anterior. Na comparação com idêntico mês do ano passado, houve queda de 3 62%. Com isso, as vendas acumuladas nos primeiros cinco meses de 1999 apresentaram retração de 1,45% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para o presidente da Abras, José Humberto Pires de Araújo, a queda sobre maio passado foi em função das altas vendas auferidas naquele mês. Além disso, comenta, o consumidor continua com o poder de compra retraído, o que prejudica os negócios. Ainda assim Pires de Araújo estima crescimento de 5% neste ano sobre 1998.

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