Setor de agronegócios tenta fechar estratégia para Rodada do Milênio
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 30 (AE) - O Ministério da Agricultura está promovendo reuniões com produtores da área de agronegócios para formular uma estratégia de defesa do Brasil pelo fim dos subsídios agrícolas, na Rodada do Milênio, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que começa no dia 30 de novembro, em Seattle, nos Estados Unidos. De acordo com o ministro Pratini de Moraes, já foram feitas reuniões com produtores de frango, carne bovina e de frutas e na semana que vem será a vez dos produtores de açúcar de álcool apresentarem suas sugestões. "Não temos nenhuma ilusão de que isso será uma tarefa fácil, mas se não houver negociação agrícola, não haverá Rodada do Milênio", disse o ministro.
Por enquanto, esse é o único item de total acordo entre Brasil e Argentina para negociar na OMC. Amanhã será concluída a reunião do Grupo Mercado Comum do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, que entre outras coisas, discute se os países do bloco se apresentarão em grupo na OMC.
O ministro disse que serão três os principais pontos de defesa do Brasil na OMC: a eliminação gradativa dos subsídios à exportação, a eliminação das restrições tarifárias e não tarifárias aos produtos agrícolas de outras regiões e a revisão dos programas internos de apoio à agricultura para a produção.
No ano passado a Europa forneceu subsídios da ordem de US$ 240 bilhões aos agricultores. Desses recursos, US$ 60 bilhões foram subsídios diretos para produção e exportação e US$ 180 bilhões foram subsídios indiretos, que aumentam os preços dos produtos no mercado interno.
Além da Europa, os Estados Unidos e o Japão também oferecem proteção aos agricultores, mantendo cotas de importação e altas tarifas, além de oferecer subsídios. Por causa dessa política, os demais países produtores de produtos agrícolas sofrem uma concorrência desleal em outros mercados. Além do Mercosul, o Grupo de Cairns, formado pelos principais produtores agrícolas, como Brasil, Argentina, Austrália, Canadá, áfrica do Sul, Malásia e Tailândia, também vão exigir a discussão dos subsídios na OMC.
O Brasil quer o fim dos subsídios agrícolas, já proibido para os produtos industrializados, além de reduzir as tarifas proibitivas para produtos como açúcar, carne, tabaco e suco de laranja, além dos produtos de maior valor agregado, como óleo de soja, açucar refinado e cigarros, cujas tarifas estão aumentando.


