Brasília, 24 (AE) - A criação do Novo Mundo Rural - programa que vai unir as linhas de financiamento oficial para os assentados da reforma agrária e os pequenos agricultores familiares - poderá elevar o volume de recursos da safra agrícola 1999/2000 que será anunciado amanhã (25) pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
A expectativa do ministro da Agricultura, Francisco Turra, e da equipe do ministério é de que o presidente - a exemplo do que ocorreu no ano passado, quando à última hora destinou mais R$ 1 bilhão para a safra - possa contemplar o setor agrícola com um volume superior aos R$ 13 bilhões já aprovados pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan.
O Ministério da Agricultura apontou uma necessidade de R$ 15,5 bilhões para que o financiamento da safra possa levar à produção de 90 milhões de toneladas, mas apesar dos apelos feitos ao ministro Malan durante almoço quarta-feira no Ministério da Agricultura, ele foi "inflexível" segundo participantes do encontro.
Na noite da mesma quarta-feira, os ministros do Planejamento, Pedro Parente, de Política Fundiária, Raul Jungmann, e da Agricultura, Francisco Turra, levaram ao ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, a preocupação com o volume de recursos do crédito rural para que o Novo Mundo Rural possa ter, pelo menos, os R$ 3 bilhões prometidos pelo governo.
A posição do ministro Malan de manter os R$ 13 bilhões para a safra - que já representaria um aumento de quase 20% em relação ao volume anunciado na safra passada - teve o apoio firme do Banco do Brasil, principal agente do crédito rural no País. Para surpresa de alguns participantes do almoço, o presidente do BB, Andrea Calabi, disse que o banco não quer aumentar os clientes do crédito rural, pois isso significaria elevar seus riscos e defendeu a manutenção do mesmo volume aplicado na safra passada, de cerca de R$ 6 bilhões.
Juros - Também a exemplo do que aconteceu no anúncio do plano de safra 98/99, lideranças rurais e técnicos do Ministério da Agricultura acreditam que Fernando Henrique possa anunciar uma pequena redução nas taxas de juros, que hoje estão em 8,75% ao ano para médios e grandes produtores e de 5,75% ao ano para os pequenos agricultores familiares.
No ano passado, o presidente decidiu reduzir os juros em 0,75% e para a próxima safra a expectativa é de que haja uma ligeira queda nas taxas, apesar de a área técnica do governo ter recomendado a manutenção dos porcentuais em vigor.

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