Sete presos por fraude de oxigênio hospitalar
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terça-feira, 01 de dezembro de 2015
Celso Felizardo <br>Reportagem Local 
Maringá - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Maringá prendeu, na manhã de ontem, sete pessoas envolvidas em um esquema de adulteração de oxigênio hospitalar que agia em 35 cidades das regiões Noroeste, Oeste e Central do Estado. As investigações constataram que três distribuidoras instaladas em Maringá, Campo Mourão e Cianorte abasteciam os cilindros hospitalares com oxigênio industrial, mais barato, usado em soldas.
De acordo com o procurador de Justiça e coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, a Operação Cilindros, que mobilizou 20 promotores de Justiça, dez delegados e 120 policiais civis e militares, começou nas primeiras horas da manhã e cumpriu 56 mandados de busca e apreensão e dois de prisão, sendo que outras cinco pessoas foram presas em flagrante fazendo a adulteração. "Os cilindros eram adulterados com lacres falsos, sem qualquer esterilização ou controle sanitário, em desacordo com as determinações legais", explica.
Segundo Batisti, além de transferir a carga de qualidade inferior para os cilindros hospitalares, os criminosos também pintavam os cilindros industriais, originalmente marrons, na cor verde, padrão dos equipamentos usados no tratamento de pacientes. As datas de validade de inspeção sanitárias também eram alteradas. O procurador informou que outras dez empresas são investigadas sob suspeita de adulteração de oxigênio.
De acordo com o Batisti, centenas de hospitais estão sendo abastecidos por cilindros de gás medicinal adulterados e com lacres falsos. Segundo ele, um levantamento completo deve ser finalizado nos próximos dias. Isso porque o Gaeco investiga possíveis crimes nas relações de consumo, uma vez que as empresas estariam comercializando cilindros com quantidade menor de gás em relação à informada nos equipamentos.
"As prisões se deram nas distribuidoras, o restante dos mandados busca apurar essa relação de quem estava recebendo esses produtos. É bem possível que essas pessoas tenham ciência e possam ser coniventes em todo o esquema", pontua. Também estão sendo apurados eventuais crimes de corrupção. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas empresas, em residências de funcionários e unidades de saúde de 35 cidades, entre elas, Maringá, Cianorte, Goioerê, Grandes Rios, Umuarama, Guaíra, Pitanga, Engenheiro Beltrão, Santa Fé e Sarandi.
O pneumologista curitibano, Jairo Spanholz de Araújo, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), definiu a prática como uma "tentativa de homicídio". Segundo ele, o nível de pureza do oxigênio hospitalar é inexistente no industrial. "Para um processo de solda, o cilindro só precisa apresentar uma alta concentração de oxigênio, que resulta na combustão. Uma vez que esse material é destinado no tratamento, pode conter óleos, metais, bactérias", alerta.
O especialista afirma que, por "capricho da natureza", pode ser que o paciente não sofra nenhum dano, mas que, em casos mais graves, pode levar a morte. "O risco existe. Quando o oxigênio não passa pela série de filtros que exige os organismos internacionais, pode estar contaminado com vírus, bactérias. É uma prática criminosa inadmissível", critica. "Este é apenas um reflexo da desmoralização de um País. Imaginar que um parente seu está internado em um hospital recebendo oxigênio industrial é assustador", completa.


