São Paulo, 24 (AE) - Sete pessoas foram assassinadas com mais de 50 tiros, no fim da noite de ontem (23), na Rua 1, favela do Jardim Elizabeth, em Mauá, na Grande São Paulo. Foi a 56.ª e maior chacina do ano. Duas das vítimas receberam tiros de calibre 12 no rosto. Elas foram mortas possivelmente durante a fuga dos cinco assassinos, que haviam atirado em seis pessoas que conversavam e bebiam no bar de João Cícero.
O comerciante havia deixado o bar momentos antes da chegada dos criminosos. Disse que fora tomar café na cozinha, nos fundos. O balconista Luís de Andrade, de 28 anos, ao ver os homens armados fugiu pulando por uma janela. Cícero contou que com a sequência dos tiros correu para o banheiro e rezou para não ser descoberto. "Foi tanto tiro que parecia uma guerra", contou.
As vítimas receberam tiros na cabeça, braços, costas e peito. Os corpos de Léia Valéria Silva Lopes, de 25 anos, e Josineide Maria Lopes, de 15, foram encontrados ao lado de um barraco a 300 metros do bar. Morreram no bar Elizângela Duque Nogueira, de 19 anos, Luís Carlos de Souza, de 24, José Alício Ferreira Ramos, de 20, uma mulher parda aparentando 28, e um garoto de 12 anos.Uma mulher branca, aparentando 30 anos, com tiros no peito e na cabeça, está internada no Hospital Nardini e seu estado é grave. Os assassinos utilizaram armas de calibre 12
7.65, 45 e 38.
A polícia investiga a hipótese de vingança por parte de um grupo que estaria disputando a venda de drogas na favela. Segundo policiais, quatro das oito vítimas tinham antecedentes criminais por furto e uso e porte de entorpecente. O delegado Roberto Borges dos Santos, do 1.° Distrito de Mauá, informou que 15 policiais estão investigando o caso.
O dono do bar declarou à polícia que todas as noites moradores da favela ficam sentados na porta ou encostados no balcão bebendo cachaça e cerveja e conversando. "Não sei quem seria o alvo dos bandidos", disse.
O poder de fogo dos autores da chacina impressionou os delegados e investigadores. Muitas cápsulas de calibres 45 e 7.65 foram recolhidas pela perícia no local. "A intenção não era deixar testemunhas, pois todos os baleados foram atingidos na cabeça", acredita o delegado Santos.
Outro detalhe que deixou o delegado Santos impressionado foi a violência contra Léia e Josineide, que não eram parentes. "As moças receberam tiros de calibre 12 no rosto e ficaram desfiguradas, irreconhecíveis." Elas foram identificadas pelos documentos de identidade em suas bolsas. O policial acredita que os responsáveis pelas mortes devem ter fumado crack ou cheirado cocaína para ser tão violentos.
Os peritos do Instituto de Criminalística que examinaram os corpos constataram que os tiros na cabeça foram disparados à curta distância. "Mataram jovens, mulheres,um menino, pessoas desarmadas e que não tiveram tempo de esboçar qualquer reação", disse Santos.
Os policiais de Mauá e da Delegacia de Homicídios, de Santo André, tiveram dificuldades para obter informações dos moradores da favela. Os que ocupam barracos próximos ao bar alegaram que com medo de serem atingidos pelos tiros somente saíram quando a polícia chegou. Muitas balas de calibre 45 e 7.65 atravessaram a madeira do bar e atingiram alguns barracos. O ambulante Arnaldo Lima, morador próximo do bar, disse ter acordado os filhos e a mulher. Em seguida, todos deitaram no chão. "Sempre que sai tiro alguma bala sobra e os garotos sabem que devem se jogar no chão ao primeiro pipoco (tiro)."
Capital - Das 56 chacinas deste ano, 29 ocorreram na capital e 27 em outros municípios da Grande São Paulo, com um total de 192 pessoas assassinadas. A chacina da madrugada de hoje foi a maior em número de mortos este ano na Grande São Paulo. Em 20 de maio, em Diadema, seis pessoas foram assassinadas. Outra chacina com seis vítimas foi registrada em Itapevi no dia 23 de maio.
Na Capital, este ano, ocorreu uma chacina com 7 mortos. Foi no dia 12 de junho, em Parelheiros. Os investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) prenderam nove dos dez autores, um deles policial militar. Os detidos faziam parte de um grupo de executores acusados de terem montado uma quadrilha para cobrar taxa de proteção de moradores e comerciantes de bairros da zona sul da capital.

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