Marília, SP, 11 (AE) - Sete pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave, em confronto de empregados e seguranças da fazenda Jaguar, em Rancharia, com um grupo de sem-terra ontem (10) à noite. Segundo a polícia, uma casa e um automóvel da propriedade foram incendiados e parcialmente destruídos. As famílias são ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.
Os empregados da fazenda disseram ao delegado de polícia de Rancharia, Arlindo Ribeiro de Sales, que o confronto começou quando as 90 famílias de sem-terra, acampadas perto da propriedade, invadiram suas casas e começaram a começaram a destruir móveis.
Claudecir Adriano Silva, integrante da direção regional do MST, negou que tenha havido tentativa de invasão e acusou os empregados da fazenda de disparar armas de fogo contra dois sem-terra que se aproximaram das casas. Os acampandos teriam ido avisar que alguns cavalos haviam fugido da propriedade. Segundo Adriano,ao ouvir os disparos, as 90 famílias correram para a fazenda e passaram a agredir os seguranças.
Feridos -O coordenador do acampamento, Paulo Duarte da Cunha, teria sido atingido por uma bomba de fabricação caseira e
apesar de ter queimaduras, preferiu não procurar socorro médico
disse Adriano. Entre os empregados e seguranças da fazenda, o mais atingido foi Pedro Figueiredo. Espancado, ele foi internado no Hospital e Maternidade Rancharia. Os demais feridos, Lourinaldo Caetano de Araujo, Manoel Paulino Figueiredo, Adalto Guimarães Ferreira, João Angelo Caetano e Maria Aparecida de Araújo Bispo foram medicados no hospital e liberados.
O fazendeiro Antonio Egydio dos Santos, proprietário da fazenda, esteve hoje à tarde na delegacia de Rancharia prestando depoimento, mas não falou com a imprensa.O delegado de Rancharia informou que instaurou inquérito por lesão corporal, danos e furto, já que um dos empregados da fazenda alega que durante o confronto desapareceram R$ 150,00.
Na Polícia Militar, o tenente José Aparecido Barbosa, comandante do 2º Batalhão da PM de Rancharia disse que esteve na fazenda Jaguar e ficou impressionado com a destruição promovida pelos sem-terra. "Em 20 anos de polícia nunca vi algo igual", disse. O oficial informou não ter encontrado no levantamento preliminar vestígios de arma de fogo.
A fazenda Jaguar foi invadida duas vezes pelos integrantes do MST que a consideram improdutiva e exigem sua desapropriação para fins reforma agrária. Na última segunda-feira os sem-terra que estavam na propriedade tiveram que sair, atendendo a mandado de reintegração de posse. Eles transferiram o acampamento para uma área livre no assentamento Nova Conquista, localizado ao lado e também ligado ao MST.

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