Sete Estados podem disputar fábrica da Ford
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 29 (AE) - Depois de cancelar o projeto de instalação de uma fábrica no Rio Grande do Sul, a Ford do Brasil vai poder escolher entre os benefícios que serão oferecidos por pelo menos sete Estados interessados em atrair a montadora. Depois de uma rápida visita hoje à sede da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), o presidente da multinacional, Ivan Fonseca e Silva, revelou que a empresa já foi procurada pelos governos da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Paraná.
"Foram contatos gerais, conceituais, sem negociação efetiva", disse o executivo. De acordo com ele, a Ford ainda não iniciou os estudos de alternativas para a localização do projeto. "Teremos a nossa fábrica", limitou-se a assegurar.
Fonseca e Silva explicou que ontem, dia do último encontro com o governo gaúcho, a Ford já tinha a "predisposição" de encerrar as negociações caso não se criasse uma situação favorável. "Vínhamos há varias semanas neste processo de reuniões que se seguiam e que não tinham conclusão; temos um projeto a concluir, somos uma empresa que não pode viver com esta incerteza", disse.
Hoje a Ford notificou legalmente o governo gaúcho o "reconhecimento ao rompimento do contrato", acrescentou o executivo. Segundo ele, o Estado havia comunicado extra-oficialmente a discordância com o contrato original no dia 30 de março. A empresa também colocou à disposição o terreno de 600 hectares no município de Guaíba, onde a fábrica seria construída, para que o governo tomasse as providências necessárias.
Segundo o presidente da Ford, a companhia nunca procurou "barganhar" os termos do contrato firmado com o governo passado, que não eram aceitos pela atual administração. "Aquelas condições, cronogramas, obras e orçamento eram o necessário para viabilizar o projeto".
A uma platéia de empresários reunidos na Fiergs, o executivo disse que não houve "vontade política" por parte do governo gaúcho para solucionar o impasse. Ele declarou-se "desapontado" com o resultado "decepcionante" das negociações com o Estado. O presidente da Fiergs, Dagoberto Lima Godoy, afirmou estar "perplexo" com o desfecho do caso e criticou a "figura heterodoxa" criada pelo governo, da "renegociação de contratos já firmados por iniciativa unilateral".


