Londrina – O coordenador estadual do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Leonir Batisti, criticou ontem a decisão do secretário estadual de Segurança Pública, Cid Vasques, de retirar de forma unilateral e compulsória policiais militares (PM) que atuam no órgão.
De acordo com Batisti, a ordem do secretário para o recolhimento imediato de todos os 37 PMs que atuam no Gaeco se deu no dia 19 de agosto, logo após a realização da Operação Vortex em Curitiba, que culminou com o afastamento de quatro delegados.
Porém, houve uma revisão por parte do alto escalação da PM para que a substituição fosse dos policiais com mais de dois anos de atividade. As mudanças seriam escalonadas e feitas até dezembro.
Outra definição da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) é que os novos PMs designados terão um prazo máximo estipulado de um ano lotados no Gaeco. A justificativa da Sesp para a mudança dos quadros é que isso proporciona oportunidades de experiência a outros policiais e de disseminação do aprendizado.
Para Batisti, esta decisão vai contra o decreto 3.981, de 1º de março de 2012, assinado pelo governador Beto Richa. O documento não determina tempo certo de permanência dos policiais e indica que cabe ao MP a iniciativa de solicitá-los e substituí-los. "Essa decisão prejudica, pois ela interrompe os serviços de modo abrupto e atrapalha na iniciação de novos procedimentos. O trabalho é feito em conjunto e necessita de entendimento, consensualidade e estratégias. Por isso um ano é um tempo insuficiente de adaptação", ressaltou Batisti.
O Gaeco conta com 62 policiais, dos quais 25 são civis. Com esta nova determinação, 26 PMs seriam atingidos. Os últimos 12 policiais incorporados ao Gaeco foram designados já com prazo máximo de um ano.
"O aproveitamento da experiência desses policiais nas suas corporações é falacioso. Tivemos três PMs que deixaram o Gaeco de Londrina recentemente, por vontade própria, e foram designados para vigiar uma penitenciária, para ser motorista da cavalaria e outro no Centro de Operações Policiais (Copom). Nenhum em setor de inteligência", apontou Batisti.
O coordenador do Gaeco destacou que toda esta instabilidade gera um desconforto nos policiais, que acabam preferindo deixar o Gaeco. Hoje os núcleos de Londrina, Foz do Iguaçu e Guarapuava estão sem delegados. Em Londrina, o Gaeco é composto por 10 policiais, seis militares e quatro civis. Dois estão há mais de dois anos e teriam que deixar a instituição. Integrantes do Gaeco têm relatado ameaças de dentro da própria PM por conta das investigações contra policiais.
Batisti confirmou ainda o encaminhamento de um pedido ao Conselho Superior do Ministério Público do Paraná (MPPR) para que a autorização concedida ao procurador Cid Vasques para atuar como secretário estadual de Segurança Pública seja suspensa.
Por meio de nota, a Sesp informou que Cid Vasques entende que "o rodízio de policiais atuantes no Gaeco propicia maior qualificação para um número maior de profissionais". Além disso, ele destaca que a experiência adquirida em cooperação com os promotores do Gaeco, especialmente nas ações do controle externo da atividade policial, habilita esses servidores para uma atuação mais qualificada no âmbito das corporações a que pertencem - nas corregedorias, por exemplo, ou em unidades especializadas. O órgão não se pronunciou sobre as supostas ameaças.

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