Sesc Pompéia homenageia Paulo César Pinheiro com três shows a partir de amanhã
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 05 (AE) - Paulo César Francisco Pinheiro, Paulo César Pinheiro, Paulinho Pinheiro, completou 50 anos no dia 28. Desses anos todos, que são poucos porque gente da estirpe dele é eterna, 35 ou 36 anos ele vem vivendo como compositor, ou melhor, letrista, ou melhor ainda, poeta de música popular. Em 1964, encontrou João de Aquino, o grande violonista primo de Baden Powell de Aquino, em Angra dos Reis, e compuseram "Viagem", um grande sucesso que firmou a carreira de Marisa Gata Mansa, versos espantosamente inspirados, tristes, profundos para um menino que mal havia chegado aos 14 anos: "Vai, tristeza, me desculpe/ Estou de malas prontas/ Hoje a poesia veio ao meu encontro/ Já raiou o dia, vamos viajar". E saiu viajando.
Navegou pelas melodias de Baden Powell, Tom Jobim, Wilson das Neves, Sérgio Santos, Rafael Rabello, Francis Hime, Sivuca, Hélio Delmiro, Paulinho da Viola, Dori Caymmi, Edu Lobo, Eduardo Gudin, Cristóvão Bastos, Guinga, Maurício Tapajós, João Nogueira, Suely Costa, Lenine, Elton Medeiros, Celso Viáfora, Pixinguinha, Mauro Duarte, Pedro Amorim, Maurício Carrilho, Vicente Barreto, quase todos os novos e antigos de que alguém possa lembrar-se.
Foi cantado, vem sendo cantado por todas, literalmente todas, as vozes importantes, de Elis Regina a Elisete Cardoso, de Nana Caymmi a Alaíde Costa, de Clara Nunes a ¶ngela Maria, de Simone a Maria Bethânia, de Alcione a Beth Carvalho, de Fátima Guedes a Leila Pinheiro, de Isaurinha Garcia a Christina Buaque e Mônica Salmaso, do MPB-4 ao Quarteto em Cy e a Sarah Vaughan.
Compôs mais de mil letras de música - não existe estatística precisa, mas deve ser o autor nacional mais prolífico -, umas tantas músicas e letras, centenas de poemas, a maior parte deles inédita - suas duas antologias poéticas, "Canto Brasileiro" e "Viola Morena", estão esgotadas -, escreveu shows e espetáculos teatrais. Escreveu hinos que serviram de alento aos brasileiros em horas de dificuldades políticas - "Mordaça" (O Importante É Que a Nossa Emoção Sobreviva), com Eduardo Gudin, "Tô Voltando", com Maurício Tapajós, trilha sonora da anistia.
Paulo César Pinheiro acaba de completar os primeiros 50 anos e o Sesc Pompéia, num projeto de Helton Altman, o homenageia, de amanhã (06) a sábado, com três espetáculos diferentes dos quais estarão participando alguns de seus parceiros e intérpretes: amanhã, o show tem Christina Buarque, Lenine, MPB-4, Amélia Rabello e Mário Gil; sexta-feira, a homenagem é de Francis Hime, Nana Caymmi, Sérgio Santos, Suely Costa e Vicente Barreto; sábado estarão em cena Eduardo Gudin e Márcia (revivendo trechos dos espetáculo O Importante É Que a Nossa Emoção Sobreviva), Joyce, João Nogueira, Ivor Lancelotti e Théo de Barros.
Os músicos que acompanharão todas as atrações fazem também parte da nata: Cristóvão Bastos (piano), João Lyra (violão), Luciana Rabello (cavaquinho), Pedro Amorim (bandolim), Wilson das Neves (bateria), Arismar do Espírito Santo (contrabaixo) e Maurício Carrilho (violão de sete cordas e direção musical). Cada um deles é também parceiro de Paulinho Pinheiro - aliás, o disco "O Som Sagrado de Wilson das Neves", Prêmio Sharp do ano passado como melhor disco de samba, é todo de parcerias deles (quase todo: uma das faixas é de Wilson e Chico Buarque).
"É bonito nesse Pinheiro, faça chuva ou faça sol, o momento fantasiado carnavalescamente de eternidade, no copo, no cigarro, na caneta que imortaliza um pedaço de papel", escreveu sobre ele, para o programa do espetáculo do Sesc Pompéia, o poeta Aldir Blanc. E mais. "Paulinho só tem meio século, meio-dia, meia-hora, incontáveis singularidades de instantes eternos forjados em sambas que doa para nós com aquele jeito de rir que é a cara do Verbo que, desde o princípio, traz ao mundo: Por fora cicatrizando, por dentro sangrando".
Homem que se realiza na palavra, com a palavra, pouco visível, quase esquivo, Paulo César Pinheiro vai estar em cena, com seus amigos, dizendo poemas, cantando alguma coisa com a voz rouca característica. Para dar água na boca, algumas peças do repertório das noites: "A Grande Ausente" (com Francis Hime), "Velho Piano" (com Dori Caymmi), Aboio (com Sérgio Santos), "Cordilheira" (com Suely Costa), "Maior É Deus" (com Eduardo Gudin), "Espelho" (com João Nogueira), "Sem Companhia" (com Ivor Lancelotti), "Portela na Avenida" (com Mauro Duarte), "Pesadelo" (com Maurício Tapajós), "Leão do Norte" (com Lenine), "O Samba É Meu Dom" (com Wilson das Neves).


