Sesc expõe pulmão de fumante e deixa visitante alarmado
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terça-feira, 29 de agosto de 2000
De Londrina 
O Serviço Social do Comércio (Sesc) de Londrina realizou ontem uma programação especial para alertar a comunidade sobre o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Um posto de orientação foi montado na entrada da unidade da Rua Belo Horizonte, centro. O que mais impressionou os frequentadores foi a exposição de dois pulmões, um de uma pessoa que fumava e outro de uma que não fumava, em
um recipiente de vidro com líquido conservante.
Teve uma moça que, ao ver esses pulmões, chegou a chorar de tão impressionada que ficou. Ela disse que luta contra o vício, mas que não consegue parar de fumar. Ficou horrorizada com o pulmão do fumante , contou a coordenadora da área de saúde do Sesc, Valéria Moraes Canônico.
O Sesc também promoveu uma troca simbólica de balas por cigarros. Quem colocasse um cigarro no lixo, recebia um pacotinho de balas com uma mensagem antitabagismo.
O estudante Romeu Clivati Junior, 20 anos, não é mais fumante mas comprou um maço de cigarros para fazer a troca. Sei o mal que o cigarro causa e por isso fiz questão de participar, disse.
As crianças que frequentam a pré-escola da unidade também foram conscientizadas sobre os problemas que o cigarro causa à saúde e fizeram desenhos sobre o tema para os pais. Bruna Alves, 6 anos, disse que o pai dela não acredita que o cigarro faz mal à saúde. Eu disse para ele que se eu respirar a fumacinha do cigarro vou ter câncer, mas ele não acredita, contou desolada.
A propaganda veiculada na televisão pelo Ministério da Saúde, em que aparece uma vítima do cigarro que precisou ter as pernas amputadas, está causando grande impacto nas crianças. Quem fuma vai ficar sem as pernas. Eu vi isso na TV, disse Ana Carolina dos Santos, 6 anos. Eu nunca vou fumar porque não quero ficar sem as pernas. Quem fuma morre antes, disse Saulo Figueiredo, 6 anos.
Apesar de tantas campanhas antitabagismo, existe quem ainda não encontrou um motivo para deixar o vício. Não parei de fumar porque ainda não encontrei um motivo forte para isso. Fumo pouco e um tipo de cigarro fraco, disse o supervisor de vendas Paulo Roberto Santos, 27 anos.
O fisioterapeuta respiratório Paulo Seibert, do Instituto do Pulmão de Londrina, explicou que não há diferença entre fumar um cigarro com baixo teor de nicotina e alcatrão ou um cigarro com um índice maior desse componentes. O efeito nocivo é o mesmo. É ilusório pensar que um cigarro de baixo teor vai fazer menos mal que outro, ressalta.
Ontem, o instituto atendeu gratuitamente fumantes que desejam parar de fumar. A procura pelas consultas superou as expectativas dos especialistas em 200%. Já existe até uma lista de espera, mas o insituto garante atendimento para todos. No sábado, os especialistas montarão um estande no Calçadão para distribuir material informativo e realizar exames. (Edna Mendes)


