Maringá - A Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) informou ontem que irá investigar as causas da morte do garoto Miguel Tosetti Correa, de 4 anos, falecido na última quarta-feira em Maringá com suspeita de dengue hemorrágica. O município é um dos 14 do Estado em situação de epidemia da doença. A família do menino disse que o atestado de óbito fornecido pela Maternidade Santa Rita, de Maringá, onde ele estava internado, confirma a dengue hemorrágica como causa da morte. Procurado pela FOLHA, o hospital não quis se pronunciar, alegando que só poderia passar qualquer informação sobre o caso mediante consentimento dos familiares de Miguel. O corpo do menino foi sepultado na última quinta-feira, em Londrina, onde ele havia morado com os pais e o irmão antes da família se mudar para Maringá.
O superintendente de Vigilância em Saúde da Sesa, Sezifredo Paz, explicou que é procedimento padrão do órgão fazer uma avaliação detalhada dos exames clínicos e do prontuário médico dos pacientes que venham a óbito por suspeita de dengue antes de aferir as causas da morte. "Fazemos todo um levantamento do caso. Além do exame clínico e do resultado da sorologia, avaliamos o prontuário médico e o histórico clínico do paciente para depois darmos um parecer. Já tivemos casos de óbitos que foram atribuídos à dengue e não era", esclareceu. "No caso específico desse garoto, [a doença] teve uma evolução rápida e é óbvio que vamos avaliar com muito critério para chegarmos a uma conclusão precisa. Não queremos esconder nada", pontuou.
Além desse caso, a Sesa investiga também outros dois óbitos em Maringá e mais um em Rolândia com suspeita de dengue. Já foram confirmadas três mortes por dengue este ano no Estado – a de uma mulher de 48 anos de Nova Londrina, uma outra mulher de 46 anos de Flórida, ambas em janeiro, e de um morador de Rolândia de 58 anos, em abril.
Dos municípios de abrangência da 17ª Regional de Saúde de Londrina, apenas Alvorada do Sul é classificado pela Sesa como epidêmico. Rolândia, no entanto, está com o sinal de alerta ligado. "Consideramos epidemia quando a incidência é de 300 casos por 100 mil. Vamos esperar que em Rolândia o quadro não se evolua para uma epidemia", afirmou Sezifredo Paz, reforçando que a secretaria e as regionais de saúde têm procurado intensificar ações educativas e mutirões de limpeza nos municípios e com a população para combater os focos de criação do Aedes aegypti. "Nossa grande preocupação é evitar os óbitos", reforçou. A reportagem não conseguiu falar ontem com a diretora interina da 15ª Regional de Saúde de Maringá, Lúcia Toshiko Shimazaki.

APURAÇÃO
O secretário de Saúde de Londrina, Mohamad El Kadri, descartou a possibilidade do garoto Miguel Tosetti Correa ter estado com dengue quando foi atendido em uma unidade de saúde da cidade há mais de um mês. A família do menino contou que antes da família se mudar para Maringá, há pelo menos mais de um mês, Miguel havia dado entrada numa unidade de saúde com dores no corpo e febre. Na ocasião, ele teria apresentado melhora quando foi medicado, segundo os familiares. "A pessoa quando contrai dengue fica imune a outro sorotipo por 90 dias. Não tem como ele ter contraído dengue aqui há 40, 50 dias e ter pego a dengue novamente agora", explicou. El Kadri, no entanto, disse que solicitou à secretaria que apure em qual unidade o garoto foi atendido e qual foi o diagnóstico.

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