Sesa estima pico do coronavírus no Paraná em 15 dias
Com curva da doença em ascensão, Estado passou das 100 mortes pela doença em 38 dias
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de maio de 2020
Com curva da doença em ascensão, Estado passou das 100 mortes pela doença em 38 dias
Pedro Marconi - Grupo Folha 
A Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) projeta que o Paraná atinja o pico de casos do novo coronavírus em 15 dias. A curva da doença está em ascensão e, segundo Maria Goretti David Lopes, diretora de Vigilância e Atenção em Saúde da secretaria, a tendência é de que isso se mantenha nos próximos dias. Boletim da pasta divulgado nesta quarta-feira (6) apontou 1.627 casos confirmados no Estado, com 1.086 recuperados.

“Estamos prevendo crescimento (no número de casos) pelos próximos 15 dias para chegar no pico. Quando chegar nesse ponto deve começar a cair o número de casos confirmados e de óbitos. Por isso, insistimos para a população continuar o isolamento. Não estamos tranquilos, pois é algo novo para os profissionais de saúde e gestores. Todos estão aprendendo em meio a essa crise e é mais difícil. A Sesa está fazendo gestão de crise para proteger as pessoas”, afirmou.
Outra preocupação, e que pode corroborar para a expansão dos doentes, é a chegada das baixas temperatura no Paraná, o que também pode refletir na taxa de ocupação dos hospitais. “Neste período, normalmente, existe um crescimento dos casos de síndrome respiratória. Com a Covid-19, nos preocupa como o coronavírus vai se comportar na nossa realidade. Isso faz com que aumentemos a vigilância e controle de qualquer caso que chega, identificando rapidamente”, destacou.
ÓBITOS
Nesta quarta-feira, o Estado superou a marca de cem mortes ocasionadas pela Covid-19, totalizando 101 em 38 dias, desde o primeiro registro de falecimento pela doença. A maioria dos mortos são homens (69%) e a idade média das vítimas fatais é de 67,7 anos. No entanto, há muitos casos de pessoas abaixo dos 50 anos. “Se comparar com outros países, a nossa realidade está se mostrando diferente de outros locais e países do mundo. Temos tido perda de pessoas ativas, na faixa etária de 40, de 50 anos e até mais jovens.”
Atualmente, a taxa de letalidade da doença no Estado é de 6,2%. A expectativa do poder público é de que este percentual diminua com a intensificação da testagem. A Sesa editou uma nova nota técnica, em que amplia a população elegível como público-alvo dos testes rápidos do coronavírus. A partir de agora também podem ser utilizados em potenciais doadores de órgãos e óbitos suspeitos da Covid-19 sem coleta de amostra, com resultado negativo ou com exame em andamento.
O Ministério da Saúde enviou mais 170 mil testes rápidos ao Paraná, que deverão ser encaminhados nos próximos dias para as 22 regionais de saúde, hospitais universitários e instituições próprias da Sesa. A prioridade para receber este tipo de teste, que identifica anticorpos contra o Sars-CoV-2S, continua sendo profissionais da área da saúde e segurança pública.
MEDIDAS
De acordo com Maria Goretti David Lopes, as ações implementadas no Estado desde o começo da pandemia colaboraram para a contenção dos casos. “De imediato foi criado o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública, as referências hospitalares foram reorganizadas por macrorregiões, estão sendo trabalhadas informações sobre o isolamento, investimento para testar um número maior de pessoas pelo teste rápido e o ‘padrão ouro’ [mais conclusivo]. Foram comprados equipamentos de proteção individual, porém, continuamos enfrentando dificuldades de conseguir”, elencou.
BRASIL
O Brasil registrou nesta quarta-feira o recorde de mortes pelo coronavírus, com 615 em 24 horas. É o maior aumento diário no total de óbitos desde o começo da pandemia. Agora são 8.536 brasileiros que perderam suas vidas por conta da doença. Já o número de casos atingiu a marca de 125.218, com 10.503 novos em relação ao boletim anterior do Ministério da Saúde.
A maior parte dos confirmados, 65.312, está em acompanhamento, enquanto 51.370 são pacientes recuperados. O estado com mais casos continua sendo São Paulo, somando 37.853, seguido do Rio de Janeiro (13.295) e Ceará (12.304). A localidade com menos casos é Mato Grosso do Sul, que tem 288.


