A Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) projeta que o Paraná atinja o pico de casos do novo coronavírus em 15 dias. A curva da doença está em ascensão e, segundo Maria Goretti David Lopes, diretora de Vigilância e Atenção em Saúde da secretaria, a tendência é de que isso se mantenha nos próximos dias. Boletim da pasta divulgado nesta quarta-feira (6) apontou 1.627 casos confirmados no Estado, com 1.086 recuperados.

Atualmente, a taxa de letalidade no Estado é de 6,2%; expectativa do poder público é de que percentual diminua com a intensificação da testagem
Atualmente, a taxa de letalidade no Estado é de 6,2%; expectativa do poder público é de que percentual diminua com a intensificação da testagem | Foto: Isaac Fontana/Framphoto/Folhapress

“Estamos prevendo crescimento (no número de casos) pelos próximos 15 dias para chegar no pico. Quando chegar nesse ponto deve começar a cair o número de casos confirmados e de óbitos. Por isso, insistimos para a população continuar o isolamento. Não estamos tranquilos, pois é algo novo para os profissionais de saúde e gestores. Todos estão aprendendo em meio a essa crise e é mais difícil. A Sesa está fazendo gestão de crise para proteger as pessoas”, afirmou.

Outra preocupação, e que pode corroborar para a expansão dos doentes, é a chegada das baixas temperatura no Paraná, o que também pode refletir na taxa de ocupação dos hospitais. “Neste período, normalmente, existe um crescimento dos casos de síndrome respiratória. Com a Covid-19, nos preocupa como o coronavírus vai se comportar na nossa realidade. Isso faz com que aumentemos a vigilância e controle de qualquer caso que chega, identificando rapidamente”, destacou.

ÓBITOS

Nesta quarta-feira, o Estado superou a marca de cem mortes ocasionadas pela Covid-19, totalizando 101 em 38 dias, desde o primeiro registro de falecimento pela doença. A maioria dos mortos são homens (69%) e a idade média das vítimas fatais é de 67,7 anos. No entanto, há muitos casos de pessoas abaixo dos 50 anos. “Se comparar com outros países, a nossa realidade está se mostrando diferente de outros locais e países do mundo. Temos tido perda de pessoas ativas, na faixa etária de 40, de 50 anos e até mais jovens.”

Atualmente, a taxa de letalidade da doença no Estado é de 6,2%. A expectativa do poder público é de que este percentual diminua com a intensificação da testagem. A Sesa editou uma nova nota técnica, em que amplia a população elegível como público-alvo dos testes rápidos do coronavírus. A partir de agora também podem ser utilizados em potenciais doadores de órgãos e óbitos suspeitos da Covid-19 sem coleta de amostra, com resultado negativo ou com exame em andamento.

O Ministério da Saúde enviou mais 170 mil testes rápidos ao Paraná, que deverão ser encaminhados nos próximos dias para as 22 regionais de saúde, hospitais universitários e instituições próprias da Sesa. A prioridade para receber este tipo de teste, que identifica anticorpos contra o Sars-CoV-2S, continua sendo profissionais da área da saúde e segurança pública.

MEDIDAS

De acordo com Maria Goretti David Lopes, as ações implementadas no Estado desde o começo da pandemia colaboraram para a contenção dos casos. “De imediato foi criado o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública, as referências hospitalares foram reorganizadas por macrorregiões, estão sendo trabalhadas informações sobre o isolamento, investimento para testar um número maior de pessoas pelo teste rápido e o ‘padrão ouro’ [mais conclusivo]. Foram comprados equipamentos de proteção individual, porém, continuamos enfrentando dificuldades de conseguir”, elencou.

BRASIL

O Brasil registrou nesta quarta-feira o recorde de mortes pelo coronavírus, com 615 em 24 horas. É o maior aumento diário no total de óbitos desde o começo da pandemia. Agora são 8.536 brasileiros que perderam suas vidas por conta da doença. Já o número de casos atingiu a marca de 125.218, com 10.503 novos em relação ao boletim anterior do Ministério da Saúde.

A maior parte dos confirmados, 65.312, está em acompanhamento, enquanto 51.370 são pacientes recuperados. O estado com mais casos continua sendo São Paulo, somando 37.853, seguido do Rio de Janeiro (13.295) e Ceará (12.304). A localidade com menos casos é Mato Grosso do Sul, que tem 288.

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