Sesa deve mudar regras de esterilização hospitalar
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma câmara-técnica composta por representantes de várias entidades e comandada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) vai estabelecer nesta semana novos critérios para a limpeza e esterilização dos instrumentos hospitalares de videoscopias, procedimentos cirúrgicos feitos com a ajuda de câmeras de vídeo. O objetivo é evitar que surtos de infecções, como o ocorrido em Curitiba, avancem para outras regiões do Paraná. Até agora, 33 casos foram confirmados na Capital e outros 42 continuam sob investigação.
As infecções hospitalares estão sendo causadas por uma espécie de micobactéria, organismo de crescimento rápido que vem afetando principalmente pacientes que passaram por videoscopias. Por enquanto, nenhum caso foi registrado fora de Curitiba, onde foram notificados 75 casos suspeitos em seis hospitais. Desses, 33 já foram confirmados, sendo um na Santa Casa, cinco no Cruz Vermelha e 27 no Nossa Senhora do Pilar, onde a Secretaria Municipal de Saúde investiga se a morte de uma paciente foi ocasionada pela bactéria.
Entre os sintomas da micobacteriose estão a dificuldade de cicatrização e o surgimento de nódulos e secreção no local da cirurgia. O tempo para que ela se manifeste é bastante variável, podendo aparecer entre duas semanas até um ano. Ainda não se sabe ao certo o motivo do aparecimento do organismo.
Para evitar que o problema atinja hospitais de outras cidades, ontem a Sesa convocou uma reunião para estudar medidas de prevenção. Foi criada uma câmara-técnica para estabelecer, ainda esta semana, regras que irão compor uma nova resolução que definirá os critérios de esterilização dos instrumentos de videoscopia. ''Faremos isto com apoio de entidades representativas e depois, caso seja necessário, ofereceremos cursos de atualização para que todos se enquadrem dentro das novas normas'', explicou o secretário estadual da Saúde, Gilberto Martin.
''Estamos diante de um surto aparentemente controlado. Mas temos que trabalhar para que continue assim'', afirmou Alceu Pacheco, presidente da Associação Paranaense de Infectologia. Este tipo de surto já ocorreu em maiores proporções em outros Estados, como Pará e Rio de Janeiro. Em todo o Brasil, nos últimos anos, o número de casos é superior a 1.500.


