O surto de microcefalia relacionado ao Zika vírus, registrado principalmente no Nordeste, levou a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) a definir, no fim da semana passada, um protocolo rigoroso que será adotado no Estado em relação a investigação, notificação e atendimento dos casos suspeitos da doença. O protocolo prevê que toda gestante com diagnóstico de microcefalia fetal intraútero será considerada de alto risco e terá acompanhamento especializado pela Rede Mãe Paranaense.
A confirmação poderá ser feita através de ultrassonografia de rotina, no pré-natal, já a partir do terceiro mês de gestação. "As gestantes do Paraná já têm acesso a pré-natal de qualidade, com a realização de sete ou mais consultas e de todos os exames necessários. A situação nacional é um alerta para que seja redobrada a vigilância com nossas gestantes e bebês", disse o secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto.
De acordo com a Sesa, o Paraná tem quatro casos confirmados de microcefalia este ano, mas nenhum deles relacionado com o Zika. A Secretaria informou ainda que o número está dentro da média registrada nos últimos anos, que é de oito ocorrências. Já em relação ao Zika vírus, o Estado contabiliza sete casos: dois autóctones, quando a infecção ocorre dentro do próprio Estado. "Trata-se de um casal de moradores de São Miguel do Iguaçu (Oeste), que manifestou os primeiros sintomas da doença no mês de maio e que não haviam saído da cidade", informou a Sesa. Os outros cinco casos são importados, de pacientes de Maceió e Recife que foram atendidos no Estado.

EXAMES

O secretário explicou que a microcefalia é uma malformação congênita em que o bebê nasce com o crânio em tamanho menor que o padrão, de acordo com a idade gestacional e o sexo. "Esta condição acarreta sérios prejuízos ao desenvolvimento cognitivo da criança, sendo que em 90% dos casos leva ao retardo mental", detalhou. Segundo a assessora da Rede Mãe Paranaense, Débora Bilovus, por enquanto não há tratamento específico para a microcefalia. "O que a rede pública de saúde oferece é todo suporte de especialistas para auxiliar no desenvolvimento saudável do bebê, levando-se em conta as funções comprometidas por esta anomalia", afirmou.
A superintendente de Atenção à Saúde, Márcia Huçulak, reforçou a necessidade das futuras mães fazerem todos os exames e comparecerem a todas as consultas indicadas no pré-natal. "Com o diagnóstico confirmado, essa gestante será encaminhada para receber atenção especial nos Centros Mãe Paranaense e nos ambulatórios dos hospitais de referência. Desta forma, o bebê terá o que há de melhor em estrutura e equipe de especialistas", orientou.

PAÍS

Dados do Ministério da Saúde revelam que até a última semana 1.248 casos de microcefalia foram notificados em 14 unidades da federação. Pernambuco é o estado que concentra o maior número de casos (646), sendo o primeiro a identificar aumento de microcefalia em sua região. Em seguida, estão: Paraíba (248), Rio Grande do Norte (79), Sergipe (77), Alagoas (59), Bahia (37), Piauí (36), Ceará (25), Rio de Janeiro (13), Tocantins (12) Maranhão (12), Goiás (2), Mato Grosso do Sul (1) e Distrito Federal (1). Entre o total de casos, foram contabilizadas sete mortes de bebês com microcefalia. Os dados devem ser atualizados na manhã de hoje, quando o Ministério da Saúde emite o novo boletim epidemiológico da microcefalia.

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