Paris, 15 (AE-REUTERS) - Uma desafiadora Iugoslávia viu-se hoje (15) sob forte pressão internacional para aceitar um acordo de paz para Kosovo depois que albaneses étnicos anunciaram que irão assiná- lo.
Apesar da retomada das conversações de paz em Paris, combates eram registrados na província sulista sérvia, com forças do governo lançando mísseis e fazendo disparos de morteiro contra supostas posições do Exército de Libertação do Kosovo (ELK) ao longo do front norte.
Os Estados Unidos e a Alemanha advertiram o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, que jatos da Otan estão prontos para atacar alvos sérvios caso ele se recuse a fazer a paz em Kosovo e permita que 28.000 soldados de paz da aliança entrem na conturbada província - algo que Milosevic tem consistentemente rejeitado.
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, William Cohen, afirmou, depois de reunir-se em Washington com o ministro da Defesa da Alemanha, Rudolf Scharping, que não cabe outra atitude de Milosevic que não seja a assinatura do acordo.
"Espero que não exista ilusão sobre a capacidade e prontidão da Otan para agir caso necessário", disse Scharping.
A aliança militar ocidental tem mais de 400 aviões de ataque e de apoio no alcance de alvos sérvios, incluindo bombardeios norte- americanos B-52 e o jato F-117-A, invisível a radares.
O presidente dos EUA, Bill Clinton, afirmou que a Otan não terá escolha caso Milosevic não aceite o acordo. Mas a Rússia, único membro não ocidental do Grupo de Contato, reiterou sua hostilidade a qualquer ação armada.
O ministro do Exterior francês Hubert Vedrine e seu colega britânico Robin Cook - que co-presidem as conversações - também disseram que Belgrado tem pouco tempo para assinar o acordo, que visa pôr fim a um ano de lutas em Kosovo que já mataram cerca de 2.000 pessoas e forçaram a fuga de centenas de milhares.
Os albaneses étnicos apoiaram oficialmente o acordo no primeiro dia de retomada das negociações de paz, que darão sequência aos 17 dias de conversações no mês passado em Rambouillet, França.
"Nós dizemos sim não porque este é um acordo ideal para o povo kosovar, mas... para abrir caminho para o processo democrático em Kosovo e nos Bálcãs e para parar a violência e genocídio contra o povo de Kosovo", anunciou Hashim Thaqi, líder da delegação albanesa de Kosovo, a repórteres.
Ibrahim Rugova, o líder político eleito de Kosovo, afirmou que o pacto - que oferece uma ampla autonomia para Kosovo por um período de três anos e uma força de manutenção da paz liderada pela Otan - depende do desembarque das tropas da aliança.
"Só porque nós assinamos este acordo não significa que vamos abrir mão para sempre de nossa independência", disse ele.
Não foi estabelecido um prazo final para os sérvios assinarem, mas Vedrine afirmou que se for estabelecida uma data limite, ela será curta.
O presidente da Sérvia, Milan Milutinovic, emergiu de seu primeiro encontro com mediadores internacionais dizendo que nada havia sido totalmente acordado e que o pacto de autonomia que os albaneses étnicos afirmam que desejam assinar na verdade não existe.
Fontes diplomáticas disseram que os delegados sérvios buscam reabrir grandes partes do acordo político que foi aceito por ambos os lados em Rambouillet, mas elas se apressaram em afirmar que de forma alguma o acordo geral, que tem anexos político e militar, seria reaberto para atender as demandas dos sérvios.
Uma autoridade norte-americana classificou as objeções de "tática postergatória".
Belgrado insiste que pode manejar sozinha questões de segurança em Kosovo. Hoje, a agência oficial de notícias iugoslava Tanjug divulgou que o serviço militar obrigatório dos atuais soldados havia sido prorrogado por 30 dias por causa de "ameaças de intervenção militar".
Se Milosevic não curvar-se às pressões, a Otan enfrentará a aterrorizante e histórica decisão de usar a força militar sem um mandato das Nações Unidas para obrigar um Estado soberano a aceitar tropas estrangeiras em seu território.
O secretário-geral da Otan, Javier Solana, recebeu a autoridade em janeiro de lançar ataques aéreos, mas tem dito que iria novamente consultar os aliados antes de tomar uma decisão.

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