Meja, Sérvia, 14 (AE-REUTERS) - Corpos ensanguentados espalhados entre pertences e tratores abandonados: este era o cenário hoje a oeste de Kosovo, depois daquilo que os oficiais sérvios afirmaram ser um ataque da Otan a um comboio de refugiados.
Os sobreviventes, alguns com ferimentos horríveis, foram colocados em carroças numa estrada próxima da cidade de Meja, a alguns quilômetros de Djakovica. Um deles foi carregado num carrinho de mão.
"Quando os aviões vieram, eles nos disseram para abaixar, mas já era tarde demais", disse um homem. O garoto Mharem Alija disse que houve tremenda explosão.
Alguns dos mortos foram esmagados por uma casa destruída pela explosão. O solo.ficou marcado por um buraco aberto.
Dezoito corpos, alguns deles com membros faltando, ainda jaziam na cena esta tarde quando repórteres chegaram acompanhados de oficiais sérvios.
A juíza investigativa Milenka Momcilovic disse que havia 20 mortos e quatro feridos. A polícia exibiu parte de uma bomba que afirmou ter encontrado nas redondezas.
A mãe de uma mulher, cujo rosto estava coberto de sangue, disse soluçando que vinha de Junik e queria alcançar a fronteira para deixar Kosovo.
O centro de imprensa de Pristina, capital de Kosovo, controlado pelos sérvios, afirmou que 64 pessoas haviam sido mortas pela Otan, 44 das quais em um outro ataque a um comboio de refugiados na estrada entre Djakovica e Priznen.
O centro informou que três policiais, que acompanhavam o comboio dos refugiados, estão entre os pelo menos 20 feridos. O comboio estaria levando os refugiados de volta para casa.
Fontes militares da Otan confirmaram que aviões de guerra haviam atacado veículos na estrada de Prizren-Djakovica em Kosovo, mas alegaram ser um alvo militar. A aliança atlântica considera que é ainda muito cedo para se comentar o suposto número de mortos.
A Otan assegura que só elege alvos militares ou usados por militares, mas admite que errou três vezes. Oficiais iugoslavos acusam a aliança de estar escolhendo alvos civis.

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