Sérvios lembram primeiro aniversário de ataques da Otan
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quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Dusan Stojanovic 
Belgrado, 24 (AE-AP) - Num apoio menor do que esperado às desafiadoras políticas anti-Ocidente do presidente Slobodan Milosevic, milhares de sérvios promoveram manifestações hoje (24) em várias partes da Sérvia para marcar o primeiro aniversário do início dos bombardeios aéreos da Otan.
Partidos de oposição, e muitos moradores de Belgrado, disseram que as manifestações eram inapropriadas devido aos fortes danos sofridos pelo país durante o conflito - que o presidente iugoslavo garante que foi vencido por seu exército.
"As derrotas podem ser celebradas apenas por aqueles que não já tiveram o suficiente da morte e da desgraça desta pobre nação", afirmou o oposicionista Partido da Renovação Sérvia.
Cerca de 5 mil pessoas, a maioria partidários do governo, compareceram a uma manifestação organizada pelo estado em Belgrado para lembrar o 24 de março de 1999 - a data na qual a Otan deu início a 78 dias de bombardeios que ajudaram a pôr fim a uma ofensiva de Milosevic contra albaneses étnicos em Kosovo.
Organizadores - esperando uma maciça mostra de apoio às políticas autocráticas de Milosevic - acreditavam no comparecimento de 100 mil pessoas. Manifestações semelhantes foram promovidas em todo o país por partidários do governo.
Alguns manifestantes na concentração e concerto de rock de Belgrado carregavam retratos de Milosevic, enquanto outros agitavam faixas dizendo: "Slobo, você é o escolhido de Deus para defender os sérvios". Retratos do general Ratko Mladic, ex-comandante militar sérvio-bósnio e indiciado por supostos crimes de guerra por um tribunal da ONU, também eram desafiadoramente mostrados.
Ainda assim, o ambiente entre os participantes era desanimado e faltava a energia dos protestos semelhantes realizados diariamente no mesmo local durante a "agressão criminosa" - o termo usado pelo governo para referir-se à campanha de bombardeios da Otan.
A manifestação - que a oposição classificou de bizarra e irracional - incluiu uma corrida de maratona em Belgrado passando pelas ruínas de prédios do governo e outros alvejados durante os ataques aéreos.
Autoridades do governo colocaram flores nas ruínas, incluindo as da antiga embaixada chinesa bombardeada acidentalmente em 7 de maio.
O tráfico no centro de Belgrado foi bloqueado durante as festividades, provocando irritadas reações de motoristas. Estudantes e trabalhadores tiveram o dia de folga, numa tentativa de engordar a multidão pró-Milosevic.
Apesar de sentida insatisfação pública, Milosevic continua firme no poder um ano depois que a campanha de bombardeios destruiu todas as refinarias de petróleo do país e arrasou com pontes, fábricas e casas.
A dividida oposição iugoslava não conseguiu apresentar um sério desafio a seu regime ou responder à crescente repressão a dissidentes e ao declínio econômico.
Só a apenas uns 100 metros da manifestação estatal na Praça de República de Belgrado é que um grupo estudantil anti-Milosevic - Otpor, ou Resistência - destribuia panfletos pedindo para o povo "resistir ao regime".


