Sérvios imploram ajuda à comunidade internacional
GRACANICA, Iugoslávia, 28 (AE-AP) - Líderes ortodoxos lembraram hoje (28) uma derrota ancestral, e imploraram à comunidade internacional para salvar seus seguidores na etnicamente conturbada Kosovo de uma derrota moderna - a perda de um território que eles consideram o berço da nação sérvia.
Sérvios têm fugido aos milhares de Kosovo nas últimas semanas, temendo ataques revanchistas de albaneses. Hoje, o bispo ortodoxo sérvio Artemije Radosavljevic reconheceu que os albaneses sofreram um "pogrom" nas mãos dos sérvios, mas afirmou que os sérvios culpados já partiram, e os inocentes não deveriam agora se tornar vítimas.
"Não podemos permitir que multidões descontroladas e enfurecidas cobrem justiça", disse ele numa entrevista coletiva. "Isto seria apenas um novo crime, e desta vez sob os olhos da comunidade internacional - isto seria impensável".
Ele divulgou uma carta entregue domingo ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello, o oficial da ONU responsável sob um acordo de paz internacional pela criação de meios pacíficos, democráticos para o povo de Kosovo resolver suas diferenças. Sérgio é apoiado pela força de paz liderada pela Otan conhecida como Kfor, que os sérvios afirmam não tem feito o suficiente para protegê-los contra represálias de albaneses.
A menos que mais seja feito, "nosso povo irá perder definitivamente qualquer confiança nas forças internacionais", afirma-se na carta. "Nesse caso, o povo sérvio em Kosovo... iria recusar abertamente qualquer nova cooperação com a Kfor... e organizar sua autodefesa da melhor maneira que possa".
Sérgio de Mello não pôde ser imediatamente contactado para comentar a carta, mas ele e oficiais da Otan têm garantido que irão trabalhar para proteger tanto sérvios quanto albaneses. Os soldados de paz estão em Kosovo há apenas duas semanas.
A carta assinada pelo bispo, pelo líder supremo da igreja, patriarca Pavle, e o político sérvio Momcilo Trajkovic foi divulgada logo depois que o bispo e o patriarca celebraram uma missa lembrando a épica batalha sérvia de 1389 contra turcos otomanos nas proximidades de Pristina. A derrota sérvia, seguida por 500 anos de dominação turca, assumiu um simbolismo mitológico durante os séculos sendo agora considerada o início do nacionalismo sérvio.
A Igreja ortodoxa sérvia também tinha no passado apelado ao nacionalismo sérvio com advertências obre a "ameaça" representada pela maioria albanesa muçulmana de Kosovo. Mas mais recentemente, líderes ortodoxos têm se distanciado do homem mais estreitamente associado com essa forma de nacionalismo, o presidente Slobodan Milosevic. A igreja tem pedido a renúncia de Milosevic depois do fracasso de suas políticas para Kosovo.
O bispo Artemije acusou hoje Milosevic de ter perdido territórios na Bósnia, na Croácia e na Eslovênia antes povoados por sérvios, e agora está perdendo rapidamente Kosovo.
O patriarca Pavle, sentou-se ao lado do bispo na entrevista coletiva, mas falou pouco. Citando a Bíblia, ele endossou a declaração do bispo: "Quem tem orelhas para ouvir, deixe-o ouvir"





