Sérvios entram em confronto com soldados de paz em Kosovo
Sérvios entram em confronto com soldados de paz em Kosovo15/Mar, 17:22 Por Aleksandar Vasovic KOSOVSKA MITROVICA, Iugoslávia, 15 (AE-AP) - Sérvios revoltados entraram em confronto hoje (15) com soldados de paz franceses e prometeram lançar uma campanha de desobediência civil depois que a Otan assumiu o controle do extremo norte de uma ponte-chave - um primeiro passo para a reunificação desta cidade etnicamente dividida de Kosovo. Pelo menos 15 sérvios e um número indeterminado de soldados de paz e jornalistas ficaram feridos na confusão, que explodiu depois que cerca de 250 soldados franceses armados e policiais paramilitares italianos cruzaram ao amanhecer a ponte sobre o rio Ibar e estabeleceram uma zona de segurança no distrito Pequena Bósnia na margem norte controlada pelos sérvios. O cirurgião-chefe do hospital controlado pelos sérvios, Radomir Jankovic, disse que nove feridos sérvios tiveram de ser hospitalizados. Dois deles, incluindo uma mãe de três filhos, tiveram um pé cada um amputado em consequência de ferimentos provocados por granadas de efeito moral que explodiram perto deles, disse Jankovic. A Otan pretende promover uma operação similar numa segunda ponte, que tem sido palco de confrontos frequentes desde que soldados de paz chegaram aqui em junho. Ao garantir pleno controle de áreas ao redor das duas pontes, os soldados de paz esperam iniciar uma reunificação em etapas da cidade, uma iniciativa à qual os sérvios prometeram resistir. A operação desta quarta-feira teve início com tropas francesas em uniformes completos antimotim afastando os "guardas da ponte" sérvios - voluntários civis concentrados no extremo norte. Os sérvios dizem que os guardas são necessários para protegê-los de albaneses étnicos da margem sul. Entretanto, albaneses étnicos que deixaram suas casas na parte norte afirmam que temiam retornar por causa da presença dos "guardas da ponte" sérvios. Apesar de a primeira fase da operação da Otan ter transcorrido sem incidentes, a tensão cresceu quando uma multidão de cerca de 300 sérvios, muitos deles mulheres, reuniu-se ao redor do cordão de segurança, a uns 250 metros do extremo norte da ponte. Quando tropas francesas impediram que alguns sérvios retornassem a seus apartamentos na zona de controle, a multidão avançou e as tropas responderam com gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral. "Se eles insistiram em implementar a zona de segurança na Pequena Bósnia, eles vão enfrentar uma completa desobediência civil", afirmou o líder da comunidade sérvia Oliver Ivanovic. "Não iremos cooperar, não iremos respeitar o toque de recolher. Será a desobediência civil". Os sérvios se opõem à reunificação desta cidade industrial e de mineração do noroeste de Kosovo, alegando que a Otan não consegue protegê-los de ataques de albaneses étnicos buscando se vingar de 18 meses de repressão sérvia, que terminou em junho depois de 78 dias de bombardeios da Otan. Apesar de a cidade ter estado tensa desde que a missão de paz teve início, a violência teve uma escalada no mês passado depois que um ataque com mísseis contra um ônibus da ONU matou dois idosos sérvios ao sul da cidade. Com o aumento da tensão na província, o supremo-comandante da Otan na Europa, general Wesley Clark, está pedindo um reforço de 2 mil soldados. A França ofereceu 600 ou 700 mais, e a Itália informou hoje que iria providenciar outros 350. Em Bruxelas, um oficial da Otan, que pediu para não ser identificado, disse que vários países se dispuseram a contribuir com mais soldados nos próximos dias para atender o pedido de Clark.





