Belgrado, 14 (AE-ANSA) - Um porta-voz da chancelaria iugoslava disse nesta quarta-feira (14) que uma chuva de bombas da Otan sobre dois comboios de refugiados kosovares que viajavam em tratores e veículos improvisados pelo sul de Kosovo deixou 75 mortos e 25 feridos.
O episódio, informou o Centro de Imprensa sérvio em Pristina, ocorreu na estrada entre Djakovica e Prizren, perto da Albânia, quando os dois comboios, com cerca de mil pessoas, a maioria formada por mulheres, crianças e idosos, "retornavam às suas casas, escoltados pela polícia".
Segundo a mesma fonte, os aviões atacaram em quatro golpes sucessivos, causando terror e pânico. A Otan admitiu ter lançado incursões contra "comboios militares" na região, mas não forneceu detalhes sobre as operações.
O Estado Maior das Forças Armadas da Iugoslávia informou que o ataque foi um "genocídio", "o maior crime" cometido durante "a guerra de agressão da Otan" e que o número de mortos poderia aumentar à medida que as equipes de resgate efetuassem seu serviço.
Dois dias antes, um bombardeio da Otan contra um trem deixou pelo menos 10 mortos em Grdelica. A aviação aliada continuou bombardeando o sul da Sérvia, especialmente Kosovo, apesar de as condições atmosféricas serem desfavoráveis.
A Otan não tem condições de confirmar as notícias da imprensa sobre o ataque aliado em Djakovica, dizia um comunicado militar difundido nesta quarta-feira.
"Às 3h30 locais de hoje, um avião da Otan efetuou ataques controlados contra veículos militares nas proximidades de uma ponte da rodovia a leste de Djakovica. O avião foi atacado pela artilharia antiaérea e por mísseis terra-ar. Os pilotos afirmam ter atingido apenas veículos militares."
O comunicado prossegue: "Não é possível confirmar os rumores de que estes ataques causaram vítimas entre a população civil. De qualquer maneira, o incidente será objeto de completa investigação quando forem examinados todos os detalhes fornecidos pela missão."
O quartel general da Otan em Bruxelas assegurou que os bombardeios de hoje foram "cirúrgicos", notificando o ataque contra uma usina hidrelétrica em Bistrica, uma fábrica que atende a pedidos militares em Valjevo, três pontes e diversos objetivos militares, principalmente em Kosovo.
Os sérvios responderam imediatamente informando sobre explosões em uma área residencial em Valjevo e que duas pessoas morreram em decorrência da explosão de um míssil em um parque próximo a Vranje. Em seguida, as fontes sérvias deram a notícia dos mortos no comboio de refugiados.
Não está claro se os civis faziam parte das dezenas de milhares de kosovares albaneses que permaneceram em sua terra ou se era um grupo que voltava para casa. O certo é que eles eram escoltados por policiais sérvios.
Após o episódio, o presidente sérvio Milan Milutinovic acusou a Otan de ter "mostrado sua face mais brutal" e afirmou que esta chacina "não se pode explicar como erro, pois é uma ação deliberada", um "crime sem precedentes na história contemporânea", ironicamente cometido por "quem diz querer proteger a comunidade albanesa".

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