Porto Velho, 21 (AE) - Os servidores demitidos pelo governo de Rondônia que estavam acampados há 49 dias em frente ao Palácio Presidente Vargas, sede do governo, deixaram o local hoje. Ontem (20), o Tribunal de Justiça do Estado confirmou a decisão do governador José Bianco (PFL) que cortou 10 mil servidores. Após a divulgação do resultado da votação, os manifestantes entraram em confronto com os policiais que faziam a segurança do local. Hoje, ao desmontar o acampamento, eles plantaram uma árvore para simbolizar o ato e fizeram fogueiras com cavaletes e lonas de plástico usadas na barracas.
Eles impediram, por duas vezes, a aproximação de carro do Corpo de Bombeiros. Eles se mantiveram em frente do veículo e ameaçavam os bombeiros caso estes tentassem apagar o fogo. As fogueiras queimaram por mais de três horas, enquanto os servidores cantavam e gritavam palavras de protesto.
"Essas fogueiras simbolizam a nossa retirada e a nossa resistência", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sintero), José Wildes Brito. Para o secretário do Sintero, Nereu Klosinsky, o fogo significa o enterro do governador Bianco, "que não tem nenhum compromisso com a sociedade".
Ao meio-dia, os manifestantes, cantando o hino de Rondônia, seguiram em caminhada pelas ruas do centro da cidade até a sede do Sintero, onde foi realizado um almoço comunitário. A partir das 15 horas, eles se posicionaram em frente à Assembléia Legislativa para reivindicar o apoio de todos os deputados estaduais (apenas oito dos 24 parlamentares estão apoiando o movimento) e exigir do presidente Silvernani Santos (PFL) que providencie uma reunião com o governador Bianco.
O Sintero e o Sindsaúde anunciaram hoje que vão recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça para tentar garantir a reintegração dos servidores demitidos.
Saúde - De acordo com o presidente do Sindsaúde, Anildo Prado, o atendimento na área de saúde em Rondônia é precário. "Os funcionários estão redobrando a carga horária para que o hospitais possam funcionar. Além da falta de servidores suficientes, as unidades de saúde estão sem condições propícias à realização do trabalho."

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