Ribeirão Preto, SP, 14 (AE) - Um grupo de manifestantes, comandado por servidores municipais, está colhendo assinaturas que serão enviadas à Câmara de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, pedindo o impeachment do prefeito Luiz Roberto Jábali (PSDB). O comunicado do abaixo-assinado alega que Jábali teria cometido infrações político-administrativas.
Um dos trechos diz: "Nossa cidade encontra-se sem governo e verifica-se que a incapacidade de administrar do Sr. Prefeito, aliada ao despreparo de seu secretariado e assessores diretos, levou a Prefeitura ao estado falimentar."
"É difícil que o impeachment ocorra, pois o prefeito tem a maioria dos vereadores ao seu favor; mas ele tem uma rejeição generalizada e somos porta-vozes disso", disse o vereador Leopoldo Paulino (PSB), que apóia o movimento.
Jábali procura minimizar a manifestação. "É uma política de baixa qualidade, um marketing político", respondeu ele, hoje à tarde. Para ele, as mudanças administrativas necessárias, forçadas pela obrigatoriedade de diminuir cerca de 88% do orçamento com o funcionalismo público, terão de acontecer. Ele pretende ouvir sugestões dos vereadores hoje, antes que seja publicado um decreto para diminuir salários e jornadas de trabalho. Os sindicalistas não acreditam no índice divulgado pelo prefeito.
No sábado (12), foram coletadas cerca de 2 mil assinaturas no centro de Ribeirão Preto. O objetivo é chegar a 20 mil e encaminhar o abaixo-assinado à Câmara. A imagem de Jábali está desgastada diante dos servidores, que realizaram duas paralisações neste ano e estão, no momento, em estado de greve, podendo parar as atividades assim que o decreto for publicado.
Paralelamente, os funcionários da empresa Centrais Telefônicas de Ribeirão Preto (Ceterp) estão em greve há uma semana, em protesto contra o não-recebimento da participação dos lucros de 1996 e 1997. Os funcionários da empresa que recolhe o lixo hospitalar também estão em greve, pois a prefeitura não faz o pagamento desde janeiro. Para não deixar acumular o lixo nos hospitais, a prefeitura usou um caminhão que transporta cestas básicas.
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Nelson Barbosa, disse que a entidade não tem participação direta no movimento, mas apóia. Ele afirma que, legalmente, não existe indícios que possam afastar Jábali do cargo. "Não foi desvio de dinheiro ou licitação errada e também não existe impeachment por incompetência administrativa"
ironiza Barbosa.
"Ele (Jábali) está caracterizando-se como um perseguidor", diz Barbosa, referindo-se à demora na publicação do decreto. "Essas ameaças estão estourando psicologicamente os servidores", alega o sindicalista.
A prefeitura publicaria o decreto na semana passada, mas adiou por tempo indeterminado. A Assessoria de Imprensa da prefeitura informou que o chefe da Casa Civil, Osvaldo Ceoldo, poderá ter uma definição do decreto ainda amanhã (15).

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