Campinas, SP, 02 (AE) - Os servidores municipais de Campinas realizam assembléia amanhã, a partir das 20 horas, para decidir se entram em greve contra a ameaça de demissão em massa e redução dos benefícios trabalhistas pretendidos pela prefeitura. A última paralisação da categoria foi iniciada em maio e durou 36 dias, interrompendo o atendimento nos postos de saúde e escolas municipais. Na época, o movimento contou com adesão de 70% dos trabalhadores.
"Temos indícios sérios de que a administração quer demitir", disse hoje o diretor do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Campinas, Fábio Custódio. Segundo ele, pelo menos cinco mil dos 15 mil servidores já estariam relacionados numa suposta lista de dispensas elaborada pelas secretarias municipais. A assessoria de imprensa da prefeitura informou, porém, que oficialmente não há nenhuma lista de demissões.
Apesar de os trabalhadores contarem com estabilidade, a legislação atual permite as demissões para adequar os quadros municipais à Lei Camata, que limita os gastos com a folha de pagamento em 60% das despesas totais. "Vamos tentar impedir de todas as maneiras a tentativa de demissão em massa", garante o sindicalista. Atualmente, a prefeitura gasta R$ 29 milhões por mês com salários, o que representa 82% das despesas globais.
O sindicalista também diz possuir informações de que o prefeito Chico Amaral pretende enviar à Câmara projeto de lei que propõe o corte de benefícios, como auxilio refeição, convênio médico e adicionais de insalubridade e periculosidade. A proposta, segundo ele, deveria ser enviada hoje para a Câmara, mas até as 14 horas isso ainda não havia acontecido. A assessoria de imprensa da prefeitura também negou a existência do projeto de lei.
Para demonstrar sua intenção de resistir a qualquer tentativa de reduzir benefícios ou promover demissões, os servidores pretendiam realizar, às 20 horas de hoje, uma manifestação no plenário do Legislativo, onde ocorreria a primeira sessão depois do recesso parlamentar. "Vamos lutar de todas as maneiras, mobilizando a categoria e, se necessário, entrando na Justiça", afirmou Custódio.
A greve realizada em maio também foi motivada pela tentativa da prefeitura de aprovar um projeto de lei que cortava os benefícios trabalhistas. O movimento só terminou depois que o prefeito concordou em voltar atrás e instalar uma comissão composta por trabalhadores e técnicos da prefeitura para encontrar soluções ao déficit mensal, da ordem de R$ 17 milhões.
"Estamos negociando há um mês, mas o prefeito não aceita nossas sugestões", diz Custódio. Para reduzir as despesas da prefeitura, o Sindicato propõe a demissão de pelo menos 400 dos atuais 530 funcionários comissionados. Segundo ele
a categoria também sugeriu a redução nos contratos de terceirização. Essas medidas foram propostas ao prefeito mas, segundo o sindicalista, foram ignoradas.

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