Londrina - Funcionários públicos de diversos setores continuam em alerta contra o pacotaço enviado à Assembleia Legislativa do Paraná. Mesmo após a retirada de pauta das propostas, professores e servidores de universidades estaduais deram continuidade à greve. O Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES) estima que mais de 100 mil servidores estejam mobilizados apenas na área da educação. Segundo uma das coordenadoras do fórum, Marlei Fernandes, dos 16 sindicatos que integram o FES, dez deflagraram greve ou irão avaliar a possibilidade neste final de semana.
"O movimento foi vitorioso, apesar da tensão com as ações do Pelotão de Choque. Isso causou ainda mais indignação entre as 30 mil pessoas que estavam na praça. Não foi falta de tentativa de diálogo. Desde o anúncio dos projetos de lei tentamos negociar, mas não houve acordo", destacou Marlei Fernandes.
O fórum repudiou as declarações dadas pelo governador Beto Richa (PSDB), que classificou os integrantes do movimento como "baderneiros". "O movimento é legítimo e é de luta. Nós repudiamos as declarações dele e a reação com gás de pimenta, balas de borracha e bombas", ressaltou. Os integrantes do fórum farão um balanço do movimento em reunião marcada para a próxima semana.
Além da briga contra o chamado pacotaço apresentado pelo Governo do Estado, outras categorias pedem melhorias na remuneração e na infraestrutura. Servidores da Defensoria Pública do Paraná e funcionários do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) aprovaram greve por tempo indeterminado a partir da próxima semana. O presidente da Associação dos Servidores da Defensoria Pública (Assedepar), Renato de Almeida Freitas Júnior, anunciou que o início da greve está marcado para a próxima quarta-feira. Com a paralisação, técnicos administrativos e agentes profissionais vão aderir ao movimento estadual.
"Queremos que o governo respeite a autonomia e o orçamento da Defensoria Pública e que o Tribunal de Contas libere o auxílio alimentação e o auxílio transporte. Uma alteração na lei orgânica da defensoria também reduziu os salários dos servidores. Precisamos de uma revisão nos salários e da redução na jornada de trabalho de oito para seis horas", argumentou Freitas Júnior.
Segundo ele, não houve negociações com o Governo do Estado. O setor administrativo das defensorias deve permanecer nos postos de trabalho. No entanto, sem os técnicos, a categoria estima que o atendimento da Defensoria Pública será suspenso em Curitiba, Londrina e Maringá.
A greve dos servidores do Iapar está marcada para começar no dia 19, quinta-feira. Conforme o presidente do sindicato, Ricardo Moura, a defasagem de funcionários, a falta de pagamentos de viagens e de insumos prejudicam os trabalhos. "A gente esperava uma negociação mais tranquila, o que não ocorreu. Temos no Iapar 1.234 vagas para servidores, menos de 700 estão ocupadas. Faltam mais de 500 servidores", explicou.
A assessoria de imprensa do Governo do Estado foi procurada, mas a reportagem da FOLHA não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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