Servidores param e prejudicam atendimento em hospitais de Campinas
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 19 (AE) -Os servidores municipais de Campinas retomaram hoje (19) a greve que havia sido suspensa há quinze dias. O movimento reduziu o atendimento nos hospitais Mário Gatti, Ouro Verde e São José. Pelo menos 28 dos 44 postos de saúde não funcionaram, segundo o Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais. Os trabalhadores reivindicam o pagamento do adicional de insalubridade e periculosidade e tentam impedir a anunciada demissão de 2,6 mil.
A greve havia sido suspensa dia 5, depois que a Justiça concedeu liminar suspendendo os efeitos do decreto municipal que estabelecia cortes nos benefícios pagos aos servidores. Como a administração não cumpriu a determinação judicial, os trabalhadores decidiram retomar a paralisação, começando pelo setor de saúde. A categoria deve fazer hoje à noite uma assembléia para decidir se o movimento seria estendido aos outros setores.
Pelo menos 70% dos quatro mil funcionários do Mário Gatti aderiram à greve, segundo avaliação da administração municipal. Apenas os casos de urgência e emergência foram atendidos. A unidade faz, em média, 750 consultas por dia. Caso o movimento continue as cirurgias eletivas deverão ser suspensas a partir de amanhã (20).
A situação também é crítica no hospital municipal Ouro Verde e no pronto-socorro São José. As duas unidades trabalharam com 30% dos funcionários, atendendo apenas casos de urgência e emergência. O quadro era mais grave no São José, que atende cerca de 40 bairros na periferia. Segundo a prefeitura, a paralisação nos postos de saúde foi parcial e não prejudicou o atendimento.
Sobrecarrega - A greve nos hospitais municipais sobrecarregou o atendimento em outras unidades de saúde. No hospital Celso Pierro, administrado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp), houve um aumento de 50% na demanda. A situação também afetou o hospital de clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O diretor do sindicato da categoria, Fábio Custódio, disse ter informações seguras de que a administração municipal já fez uma lista de cortes. Segundo o sindicalista, a medida resultaria na até extinção de secretarias. A assessoria do prefeito Chico Amaral (PPB) não confirmou a intenção de demitir os trabalhadores.


