Curitiba – Os servidores técnico-administrativos do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) optaram ontem por manter a paralisação por tempo indeterminado nas unidades da instituição, preservando as escalas pré-acordadas de trabalho. A decisão, válida inclusive para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), ocorreu durante assembleia geral, que deliberou também contra a instalação do ponto eletrônico e a favor da extensão da jornada de 30 horas para todos os 2,8 mil funcionários do HC.
Na última terça-feira, a procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Eloisa Helena Machado, do Ministério Público Federal (MPF), havia expedido uma recomendação para que o Sinditest, sindicato que representa a categoria, garantisse no prazo de 48 horas o atendimento integral na UTI Adulta, na Unidade de Terapia Semi-Intensiva Adulta, na UTI Neonatal, na UTI Neonatal de Risco Intermediário, na UTI Pediátrica e na UTI Cardíaca do HC. Os trabalhadores estão em greve desde o dia 29 de maio. Eles reivindicam reajuste salarial de 27% e criticam os cortes promovidos pela União nos orçamentos da saúde e da educação.
Segundo a presidente do Sinditest, Carla Cobalchini, porém, pelo menos 30% dos leitos estão ativos nos setores considerados essenciais, conforme determina a lei da greve. "A nossa assessoria jurídica já preparou material para rebater as informações inverídicas que a Ebserh (Empresa Brasileira Serviços Hospitalares) passou ao MPF. Nos cálculos, a empresa considerou leitos que estão fechados há anos. Na UTI Adulta houve redução de pessoal por conta da greve, mas nas restantes os problemas são decorrentes de falhas do próprio serviço, como faltas de condições físicas e de pessoal" argumentou.
Procurada pela FOLHA, a assessoria de imprensa do HC informou que, do total de 411 leitos cadastrados, 250 estariam em uso no HC, sendo que 51 foram comprometidos exclusivamente pela paralisação. Os serviços mais prejudicados, de acordo com a direção, seriam cirurgia geral, com 20 dos 32 leitos bloqueados, Neonatologia, com apenas metade dos 20 serviços abertos, e Terapia Intensiva, com sete dos 12 fechados. Na UTI Neonatal, o HC disse ainda que há superlotação, com sete bebês extras e gestantes gemelares aguardando atendimento.

mockup