Servidores federais 'vivem' drama de idosos
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Quase 50 funcionários da Justiça Federal de Curitiba, Ponta Grossa e Paranaguá viveram a experiência de ''ser idoso'', durante algumas horas da manhã de ontem. A transformação faz parte de um treinamento de capacitação dos servidores do órgão para atenderem melhor o público com idade acima de 60 anos. Chamado de ''Repensando a 3Idade'', o treinamento incluiu dinâmicas de grupo para que o atendente se sinta, física e psicologicamente, com mais de 60 anos, e possa compreender melhor o idoso.
Os atendentes passaram por exercícios que simulam características físicas comuns aos idosos. Usando algodão, elástico, cordas, luvas descartáveis, plástico fosco, entre outros objetos, eles puderam sentir ''na pele'' os problemas de quem perdeu a audição, não consegue comer direito, tem dificuldades para andar; não consegue enxergar direito ou perdeu a sensação do tato. Depois, compartilharam as percepções e sensações.
''Além de ter que andar devagar, é difícil subir um degrau com a perna amarrada'', avaliou a servidora de atendimento Simone Pedroso Ribeiro, que também teve os olhos tapados por uma plástico fosco para deixar sua visão embaçada. ''Andar assim cansa mais porque exige mais concentração e esforço físico'', contou. Para ela, o treinamento foi importante para aceitar melhor as deficiências dos idodos. ''Até com a minha vó'', disse.
Com várias luvas sobrepostas, a atendente Elizolete Bacardi sentiu como é viver com perda da sensação de tato. Ao pegar um copo de plástico com água, o copo dobrou e a água caiu. ''Pensei que eu seria mais hábil. Se tivesse esse problema, não comeria em nenhum lugar público'', disse, admitindo que teria vergonha de babar ou derrubar água.
A psicanalista Nora D'Aquino, da equipe do Instituto Antanho de Ensino e Pesquisa em Gerontologia, que ministra o treinamento, comentou que o auto-exílio é justamente um dos problemas dos idosos, que se isola porque tem vergonha de suas deficiências. ''O idoso enxerga menos, baba, cospe quando fala, anda devagar, não porque ele quer, mas porque tem diculdades. E com o treinamento as pessoas entendem isso'', explica a fisioterapeuta Márcia Skara.


