Rio, 28 (AE) - Representantes de sindicatos de servidores públicos federais discutirão amanhã (29), em Brasília
os novos rumos da campanha salarial da categoria, após a concessão do auxílio-moradia aos juízes, anunciado para abortar a paralisação dos magistrados programada para hoje. Sem aumento desde 1994, os trabalhadores, cerca de 1,2 milhão, exigem 63,68% de reposição de perdas salariais e ameaçam decretar greve em maio. Sindicalistas avaliam que a concessão da gratificação aos magistrados fortaleceu a proposta grevista.
"Os juízes mostraram qual é o caminho: o da mobilização e radicalização em cima da greve", disse o diretor de Formação Sindical do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Rio, Victor Madeira. No Estado, o funcionalismo federal tem cerca de 50 mil integrantes, dos quais mais de 37 mil são sindicalizados. Para a reunião de amanhã, 35 sindicatos foram chamados. Até o fim da manhã, só quatro não tinham confirmado participação.
A campanha salarial nacional unificada foi lançada em janeiro, em Brasília. Além da reposição salarial, os sindicalistas têm, como palavras de ordem, impedir demissões e disponibilidades e estabelecer um serviço público de qualidade. "Nossa intenção é abrir negociações, caso contrário, entraremos em greve na primeira quinzena de maio", disse Madeira. Em março
explicou, começará a campanha nos meios de comunicação.
"Acho que a concessão do auxílio só fortalece a campanha do funcionalismo", disse Madeira. "Eles ganharam na marra: foi a primeira vez em que todos os juízes se unificaram." Segundo ele, a concessão do auxílio após a ameaça de paralisação "fortalece a palavra de ordem de greve".
O sindicalista afirmou que, desde 1994, somente 14 categorias do serviço público federal conseguiram aumento salarial. Entre elas, estão advogados da União, assistentes jurídicos da Advocacia-Geral da União (AGU), orientadores de projetos de assentamento, servidores militares, defensores públicos, procuradores e advogados de autarquias e fundações, procuradores do Tribunal Marítimo, funcionários de nível superior e intermediário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), fiscais de cadastro e tributação rural e engenheiros agrônomos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "Vamos ter de fazer greve, como os juízes ameaçaram", afirmou.

mockup