Londrina – Servidores e professores estaduais protestaram na manhã de ontem contra a corrupção na Receita Estadual de Londrina, investigada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) por um mega esquema de cobrança de propina. Os manifestantes, que paralisaram as atividades nesta semana por causa da votação do projeto de lei com alterações no Paranaprevidência, realizaram uma passeata da Concha Acústica até a sede da 8ª Delegacia Regional da Receita, no Centro, onde lavaram o pátio de entrada do prédio com vassouras e sabão líquido.
O protesto contou com a presença de mais de 100 servidores de entidades de classes que representam professores estaduais, servidores do Hospital Universitário (HU) e docentes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), funcionários públicos da Justiça e alunos universitários e das escolas em greve desde a última segunda-feira. Nenhum funcionário da Receita saiu do prédio durante a manifestação. A FOLHA não conseguiu falar com o delegado regional Marcelo Moeller.
Para os servidores, os recursos do fundo previdenciário utilizados no pagamento de pensões e aposentadorias do funcionalismo não podem ser transferidos aos cofres do Estado para pagamento de contas públicas. Os manifestantes cobram do governo a intensificação do combate à corrupção no Paraná com objetivo de melhorar o fluxo de caixa e ainda pedem que as investigações do Gaeco sejam realizadas em outras unidades da Receita no Paraná.

ADMINISTRAÇÃO
O diretor da Assuel Sindicato, Adão Brasilino, afirmou que o governo precisa trabalhar para acabar com as organizações criminosas dentro dos órgãos públicos com objetivo de melhorar a administração dos recursos. "O servidor não dá prejuízo ao governo do Estado e não pode pagar a conta da má administração. Quem desfalca os cofres são os esquemas de corrupção e o desvio de dinheiro que poderia ser utilizado para pagamentos das contas públicas", opinou.
Já o diretor do Sindiprol/Aduel Sinival Pitaguari comentou que a sonegação de impostos é um problema que afeta o volume de recursos disponíveis para investimentos em áreas essenciais, como saúde, segurança e educação. "Em vez de atacar a previdência, o governo tem que atacar a corrupção e a sonegação. O paranaense também sofre com o aumento dos impostos neste ano, como o reajuste no IPVA", afirmou.
Ele também criticou o forte policiamento na Assembleia Legislativa, em Curitiba, que impede a entrada dos professores e servidores públicos para acompanhamento dos trabalhos dos deputados durante as votações e discussões do Paranaprevidência. "É uma medida autoritária que lembra a ditadura militar. Os professores são tratados com truculência e sem nenhum respeito por parte dos policiais que usam spray de pimenta e jato d'água contra funcionários do Estado", reclamou. Durante o protesto, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio em solidariedade aos servidores em vigília desde a última segunda-feira na sede do Legislativo na capital.
O secretário de organização da APP-Sindicato, Nelson Antônio da Silva, lembrou que os envolvidos no esquema de corrupção foram indicados pelo governo, conforme as investigações do Ministério Público (MP). "É necessário que servidores de carreira assumam esses cargos que foram ocupados para o desvio de recursos. Com certeza, existem funcionários públicos honestos que podem assumir a condução dos trabalho na Receita", afirmou.

NOVO PROTESTO
Hoje, os sindicatos que representam o funcionalismo público realizam novo protesto no centro de Londrina, a partir das 9 horas, no Calçadão. Os servidores vão se manifestar contra o projeto de lei que regulamenta a terceirização de atividades-fim nas empresas, o que é considerado pelo movimento um retrocesso nas leis trabalhistas. Atualmente, a matéria tramita no Senado após aprovação do texto na Câmara dos Deputados, em Brasília.

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