Servidores e educadores rejeitam propostas de reforma na França Do correspondente Reali Júnior
Paris, 21 (AE) - O governo da França, sob o comando do primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, enfrenta momentos difíceis diante dos protestos de numerosos movimentos sociais contra as reformas que ele pretende pôr em prática no país.
Jospin retirou do Parlamento um projeto de reforma da administração fiscal, em razão dos protestos contra as propostas de mudança realizados pelos sindicatos de funcionários públicos envolvidos com o setor.
O ministro da Economia, Christian Sautter, debateu as propostas de reforma com os sindicalistas ligados à administração fiscal. Não conseguiu convencê-los a aderir às sugestões de mudança.
O encerramento do debate sobre o projeto deixou o ministro de Economia numa situação delicada e "mortificado", segundo suas próprias palavras. Ele já não esconde a disposição de pedir demissão do cargo, comentava-se hoje em Bercy, onde está instalada a sede do ministério.
Segundo analistas políticos, a saída do atual ministro da Economia teria repercussões externas negativas, pois seu antecessor, Dominique Strauss-Khan, indiciado pela Justiça num processo de abuso de bens sociais, foi obrigado a deixar o cargo há cinco meses.
A crise no setor educacional também se aprofundou com a multiplicação de manifestações de rua contrárias à anunciada reforma do ensino.
Hoje, educadores ligados ao ensino profissional e secundário realizaram duas novas passeatas de protesto contra as propostas de mudança no setor apresentadas pelo governo.
Na sexta-feira, todos os sindicatos do ensino público prometem uma nova manifestação pelas ruas de Paris, reunindo professores, funcionários, alunos e pais de alunos.
Aposentadoria - Nesse clima social tenso, o primeiro-ministro, Lionel Jospin, revelou ontem suas principais orientações sobre a reforma dos regimes de aposentadoria dos setores público e privado.
O chefe do governo optou pela manutenção do sistema de repartição, existente desde de 1945, afastando inteiramente a possibilidade de a França adotar o sistema anglo-saxão de fundos de pensão, a seu ver um sistema "nem honesto nem realista".
Seu objetivo é consolidar o regime de repartição, mas pela negociação com os parceiros sociais. Ele está convencido de que isso será possível graças ao bom nível do crescimento econômico e dos excedentes sociais da Previdência, para financiar um Fundo de Reserva já existente desde 1998, (atualmente de apenas 20 bilhões de francos), mas que em 2020 poderá alcançar a soma de 1 trilhão de francos.
Esse fundo seria alimentado também pelos dividendos proporcionados pelas empresas públicas, mas não pela venda ou transferência de seus ativos.





