Após mais de 20 dias de paralisação, os servidores da Justiça do Trabalho decidiram pela continuidade da greve no Paraná em assembleia do Sindicato da Justiça do Trabalho (Sinjutra) realizada ontem em Curitiba. A manutenção do movimento também foi definida pelos servidores federais representados pela Sindicato da Justiça do Paraná (Sinjuspar) em assembleia na última quinta-feira. Os funcionários da Justiça Federal e Eleitoral estão em greve há aproximadamente 30 dias.
As categorias aguardam a sanção presidencial do projeto de lei que prevê a reposição salarial de 59%, em média, aprovada pelo Senado Federal nesta semana. Em viagem aos Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff classificou a aprovação como "lamentável" e ainda declarou que são "insustentáveis" níveis de aumento elevados. Além disso, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, adiantou que o projeto pode ser vetado pelo governo federal, já que a previsão de impacto é de R$ 25 bilhões nos cofres públicos até 2018.
O coordenador de comunicação do Sinjuspar, Gláucio Luiz da Silva, lembrou que a greve nacional atinge outros estados do País e que o Plano de Cargos e Salários com reajuste em até 78% é necessário para reposição das perdas salariais nos últimos nove anos. "O reajuste ainda fica abaixo da reposição da inflação no acumulado durante o período. A categoria não tem data-base. Se tivesse, estaríamos discutindo apenas a reposição do último ano", justificou.
Os servidores aguardam uma posição da presidente até o dia 21 de julho e devem realizar manifestações neste período. Silva disse que uma passeata será realizada em Londrina na próxima quarta-feira. "O próximo passo da categoria é discutir a data-base, mas precisamos que o governo discuta a reivindicação dos servidores", cobrou.
O coordenador do Sinjutra, Miguel Szollosi, argumentou que o último reajuste foi concedido em 2006 e informou que a paralisação na Justiça do Trabalho atinge os serviços internos e andamento de processos em 90% das varas e fóruns de cidades paranaenses, entre elas, Londrina e Maringá. De acordo com o sindicato, todas as 23 varas de Curitiba participam da greve, assim como setores administrativos e gabinetes de desembargadores. "Apenas os serviços emergenciais como medidas cautelares e mandados de seguranças são mantidos no Estado", acrescentou.

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