Curitiba - Servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) fizeram, ontem, um protesto contra a decisão judicial que obrigou os funcionários do Hospital de Clínicas (HC) a voltarem ao trabalho. A decisão tomou como base o fato de o hospital atender urgências e emergências -o que impediria a realização de paralisações prolongadas. Os servidores usaram mordaças pretas, simbolizando o desrespeito ao direito de greve. À tarde, a assessoria de imprensa da UFPR distribui nota oficial, informando que a greve no HC havia sido encerrada. Na manhã de ontem, apenas três funcionários não compareceram ao trabalho.
''Os servidores estão voltando ao trabalho com muita tristeza. A decisão judicial foi um ataque à democracia, sob o peso da espada da lei. Foi uma forma de censura. Temos direito de greve, de manifestação'', afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino de Terceiro Grau Público de Curitiba, Litoral e Região Metropolitana (Sindtest), José Carlos Belotto.
O sindicalista informou que a greve terminou no HC por imposição judicial, mas será intensificada em todos os demais setores da UFPR. ''O que eles querem é que o movimento perca força. Mas não vai perder. Vamos forçar que as matrículas do segundo semestre da universidade sejam adiadas e continuaremos o movimento grevista no RU (Restaurante Universitário)'', disse Belotto. A greve dos funcionários da UFPR é contra a terceirização (chamada por eles de privatização) dos hospitais universitários e começou no dia 28 de maio.
Na quinta-feira, o reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, enviou ofício à direção do HC, determinando a criação de uma comissão para conduzir os processos administrativos de responsabilização dos servidores ainda greve. Essa comissão avaliará cada caso e aplicará sanções que podem ir desde uma advertência até a perda do emprego, sem possibilidade do funcionário penalizado tornar-se novamente servidor público.
A UFPR confirma que há outros setores afetados com a greve, como é o caso do RU e da Central de Transportes. Nas pró-reitorias o atendimento vem sendo feito em horário reduzido, em alguns dias da semana.(Colaborou Andréa Lombardo)

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