Londrina – Os servidores do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) paralisaram as atividades ontem. O diretor jurídico do sindicato que representa os funcionários, Arnaldo Menon, afirmou que a categoria já havia realizado assembleia geral no dia 20 de dezembro do ano passado decidindo pela greve e suspendeu o movimento grevista por tempo determinado, e o retomou ontem. Ele explicou que o sindicato reivindica "um quadro próprio de servidores, o que não onera de forma alguma a folha de pagamentos do Estado, já que não visa aumento salarial, mas sim um reconhecimento de toda classe de funcionários do Detran-PR e a melhoria nas condições de atendimento à população".
Menon destacou que atualmente o Detran-PR possui cerca de 900 funcionários e 40% deles são de cargos comissionados, para atender uma frota de 6,5 milhões de veículos e 5 milhões de pessoas. "Para se ter uma ideia, em 2009 tínhamos 1,25 mil funcionários estatutários. Temos sofrido com a precarização do serviço. Daqui a pouco, se tudo continuar dessa forma, pode acontecer a terceirização dos serviços", criticou.
O diretor destacou que há falta de diálogo entre o governo e o sindicato. "Desde 2012 vínhamos solicitando reajuste salarial, progressão do quadro próprio, mas agora nem recebemos o 1/3 de férias e nem somos contemplados com progressões e promoções nos cargos desde 2013", relatou.
Ele destacou que o sindicato entrou com uma ação contra o governo pela falta de pagamento dos salários no período de greve. A Justiça do Trabalho reconheceu que o movimento era legal e o dinheiro dos salários teve de ser depositado para os servidores. Menon também orientou as pessoas que necessitem dos serviços do Detran-PR a se informarem sobre os desdobramentos da greve pelo site sisdep.org.br.
A atendente do Detran-PR Renata Oliveira, de 43 anos, destacou que em Londrina existem apenas 16 funcionários na Rua Suindará e cinco funcionários na Rua Guaporé, quando na realidade os dois locais deveriam ter pelo menos o dobro de funcionários. "E para piorar, no prazo de um ano pelo menos outras seis pessoas irão se aposentar. Se a situação já está caótica agora, quando eles se aposentarem vai ficar impossível de trabalhar", reclamou.
A examinadora Márcia Nabarro, 34, destacou que atualmente o Posto Central do Detran-PR de Londrina possui apenas três examinadores e um deles está de férias. "Nós estávamos contando com o apoio de funcionários de Curitiba para ajudar, mas o governador suspendeu o pagamento dos hotéis para esses funcionários e não autorizou a mudança da agenda. Ou seja, tivemos que trabalhar em duas pessoas com uma agenda para quatro funcionários. Tivemos que cancelar os exames", reclamou a servidora.

mockup