Servidores dizem sofrer agressões
Agência Estado
De São Paulo
Não só os internos da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) são vítimas de maus-tratos. Os funcionários do órgão também apresentam marcas de pauladas e escoriações no corpo. Segundo eles, os sinais da violência são resultado dos últimos confrontos com os menores.
Só na última rebelião, na unidade Imigrantes, 19 monitores saíram feridos, afirma o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família (Sintraemfa), Adalberto Carlos da Silva. Estão execrando os funcionários, mas o dever de tratar jovens infratores é do governo estadual. Para ele, os internos revoltam-se contra os monitores, porque os vêem como os representantes mais próximos do Estado.
Os funcionários da Febem responsabilizam o governador Mário Covas pela crise na fundação. Eles dizem que a falta de condições de trabalho e a superlotação das unidades não permite que desenvolvam trabalhos pedagógicos e contribuam para as rebeliões.
O governador declarou que quem espancou menores vai para cadeia, mas quem tem de ir para a cadeia é quem não cumpre leis e ele desrespeita o Estatuto da Criança e do Adolescente, ataca Silva.
Para a relatora da CPI da Febem, na Assembléia Legislativa, deputada Maria Lúcia Prandi (PT), a responsabilidade é do Executivo. Com a superlotação, às vezes só se consegue conter os jovens com violência.
Alguns funcionários estão com as costas marcadas por pauladas, arranhões nos braços e pernas e luxação nas mãos. O monitor A.M.R., de 30 anos, teve de tirar radiografia da cabeça após ser atingido por um banco. Ele diz que o objeto foi atirado por um menor durante a fuga de terça-feira.
A média de salário dos monitores é de R$ 539,00. Para serem admitidos, têm de ter segundo grau e passar por concurso. De acordo com o sindicato, a falta de funcionários é grande. Só na Imigrantes faltam 400; há anos, não há reposição de pessoal.
Na opinião do Sintraemfa, a solução para a crise na Febem está na descentralização. A curto prazo, os funcionários propõem a reabertura das unidades fechadas do interior para desafogar a capital. Há cerca de mil vagas disponíveis fora de São Paulo, garante Silva.
A Assessoria de Imprensa do Palácio dos Bandeirantes informou que o governo conhece a precariedade das condições na fundação, mas não pode impor a instalação dos adolescentes em internatos do interior sem a autorização dos municípios.





