Londrina – O Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos da Universidade Estadual de Londrina (Assuel) protocolou ontem uma denúncia no Ministério Público alertando sobre o agravamento da situação caótica no Hospital Universitário (HU), em especial da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, setor que abriga recém-nascidos prematuros, por causa da falta de servidores. O caso será analisado pelo promotor Paulo César Tavares.

De acordo com o diretor do sindicato, Adão Aparecido Brasilino, a solução mais adequada seria a abertura de concurso público para a reposição do quadro funcional, mas diante dos argumentos da administração estadual, que estaria impedida de aumentar os gastos com pessoal em consequência da Lei de Responsabilidade Fiscal, a saída seria a redução do número de leitos efetivamente operando na UTI neonatal, hoje com capacidade para 17 crianças.

"Estamos diante de uma situação que o paciente não pode ser assistido e que a sobrecarga de trabalho dos servidores amplia, e muito, o risco do cometimento de um erro médico", afirmou Brasilino, que relatou casos extremos como o de um enfermeiro que chegou a trabalhar 18 horas consecutivas. Segundo ele, o deficit de servidores no maior hospital do interior do Paraná é de 800 funcionários.

O sindicato afirma que a UTI neonatal vem operando com até 120% da capacidade, em média, servida por apenas um enfermeiro por turno, quando a recomendação técnica aponta que o ideal é um enfermeiro para cada cinco crianças. A Assuel também reclama das condições de trabalho dos servidores, ainda mais sobrecarregados por constantes desfalques na equipe, quase sempre ligados a atestados médicos por estafa e depressão. No site do sindicato, um vídeo de 10 minutos, mostra depoimentos de servidoras da UTI, que chegam a se considerarem "sufocadas" com a situação. Elas relatam casos de colegas que não conseguem tirar férias e de escalas nos finais de semanas com apenas dois funcionários. Uma delas chega a lembrar que há períodos em que um funcionário fica responsável por dez bebês.

A superintendente do hospital, Margarida Carvalho, admitiu que a redução do número de leitos da UTI pode ocorrer. Segundo ela, há cerca de 175 vagas abertas na unidade. "Temos um grande problema de tempo de reposição, que chega a um ano e meio para cada vaga", informou. Margarida terá uma reunião na segunda-feira com o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, para tratar do assunto.

Veja o vídeo:

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