Porto Velho, 01 (AE) - Os servidores públicos demitidos em Rondônia vão ficar acampados na praça Getúlio Vargas, em Porto Velho, até o dia 15, quando recomeçam as atividades da Assembléia Legislativa. "A situação da saúde está uma calamidade; muitas pessoas estão nas filas dos hospitais e não conseguem ser atendidas; a partir de hoje, o Hemeron já não dispõe mais de sangue; o governador José Bianco (PFL) deve voltar atrás na sua determinação; ele não deveria demitir quem está trabalhando, e sim os marajás e fantasmas", disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Saúde (Sindsaude), Anildo Prado, enquanto alguns manifestantes davam a volta no palácio, carregando três caixões, simbolizando o "enterro" do Fundo Monetário Internacional (FMI), do governo Fernando Henrique Cardoso e do governador José Bianco (PFL).
A praça fica situada em frente do Palácio Presidente Vargas - que continua cercado por um forte aparato de policiais militares. No início das manifestações de hoje, os policiais tentaram impedir que os demitidos trouxessem o carro de som que estava na Rua José Bonifácio até em frente da praça. Os manifestantes ficaram na frente do veículo e conseguiram o colocar na praça.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sintero), José Wildes de Brito, informou que a PM estava programando a retirada dos cerca de 3 mil manifestantes acampados na praça durante a saída de uma comissão de parlamentares e sindicalistas até o Tribunal de Justiça (TJ) hoje pela manhã. "A estratégia da polícia para esvaziar o movimento era a retirada das dezenas de barracas que estão montadas na praça."
Manifestantes vindos de Ariquemes, Ji-Paraná, Vilhena, Presidente Médici, Colorado do Oeste, Cerejeiras, Pimenta Bueno, Jaru e Guajará- Mirim, entre outros municípios, estão acampados no local.
"Estaremos na praça até próximo dia 15; se, até lá, não houver uma definição da Justiça, vamos acampar na Assembléia Legislativa e cobrar dos deputados uma solução para os demitidos", disse Brito, enquanto os manifestantes gritavam em uníssono: "Abaixo a repressão, servidor não é ladrão." "Se acontecer alguma coisa, a responsabilidade não é apenas da PM, mas, principalmente, do governador; os servidores demitidos têm o direito de expressar sua revolta e indignação", destacou o sindicalista. Na comissão, estavam os presidentes dos Sintero e do Sindsaude, os deputados estaduais Daniel Pereira (PT), Mauro Nazif (PSDB) e Everton Leoni (PSDB) e o vereador da capital Mário Jorge (PDT). "Nossa intenção é sensibilizar os desembargadores para que eles possam ser favoráveis à reintegração dos quase 10 mil servidores demitidos injustamente", disse Brito. O presidente do TJ, Renato Mimessi, disse que reconhece o impacto do que está acontecendo em Rondônia. "É uma situação difícil; o tribunal está preocupado com isso e deverá realizar a apreciação desta liminar até a próxima segunda- feira (07)", disse Mimessi.
Bianco nomeia amanhã (02) à tarde os novos secretários. Não haverá solenidade de posse em função das manifestações dos demitidos. A maioria dos secretários deve ser mantida. Por meio de decreto, o governador exonerou hoje cerca de 3.600 funcionários que ocupavam cargos de confianças.
São assessores de segundo e terceiro escalão, além dos secretários. Amanhã, entra em vigor a reforma administrativa aprovada pela Assembléia Legislativa de Rondônia, que definirá as novas gratificações de acordo com nomenclatura e valores instituídos. Bianco deverá contar, a partir de agora, com mil cargos de confiança.

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