Brasília, 25 (AE) - O comando da Polícia Militar vai colocar quase todo o efetivo amanhã (26) nas ruas de Porto Velho, durante a manifestação de servidores públicos em protesto contra as demissões de quase 10 mil funcionários estaduais, na sexta-feira (21). Hoje, o secretário de Planejamento do Estado, Arnaldo Bianco, irmão do governador José Bianco (PFL), admitiu que a situação é tensa. "Tudo poderá acontecer", afirmou Arnaldo.
O policiamento será reforçado principalmente nos prédios públicos, especialmente no Palácio Presidente Vargas, sede do governo. Na noite de segunda-feira (24), houve um incêndio na Secretaria de Obras. A PM não sabe se tem relação com as demissões. No sábado, cinco tiros disparados próximos à casa do governador mobilizou o comando de operações especiais da PM.
Hoje, os hospitais de Porto Velho ganharam reforço na segurança. "Dobramos o número de policiais nas dependências da Esplanada das Secretarias, bem como nos hospitais de Base e João Paulo II (os principais de Porto Velho),", afirmou o comandante da PM, coronel Roberto Luiz das Dores.
Segundo o secretário de Planejamento, o governo pretende fazer novas demissões, além das 9.613 já realizadas, até que o número de funcionários chegue a 60% da receita do Estado, como determina a Lei Camata. "Reconhecemos que são funcionários antigos, mas haviam muitos contratos mal feitos", afirmou Arnaldo Bianco. "A expectativa é de novas demissões."
Os servidores públicos realizaram manifestações hoje no centro de Porto Velho, pedindo o afastamento do governador José Bianco. Todo o movimento foi observado por mais de 200 PMs. Até o final da tarde não foi registrado nenhum incidente, apesar do clima de revolta e de desespero entre os manifestantes. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde, Oscar Henrique, um paciente, internado no Cemetron, uma unidade hospitar pública, morreu por falta de atendimento. "Vamos denunciar isso ao Ministério Público, pois trata-se de omissão de socorro por parte do governo estadual, por causa das demissões", disse Henrique.
O atendimento ambulatorial está suspenso na rede estadual e apenas os casos de emergência estão sendo atendidos. No setor de saúde, foram demitidas 2.600 pessoas. De acordo com Henrique, a maioria desse pessoal entrou no governo no período de 83 a 84. "Em 87 foi realizado um concurso público e esses funcionários tomaram posse através das autoridades daquela época", afirmou o sindicalista. Hoje, o sindicato tem a intenção de lacrar as portas dos hospitais HB, João Paulo e Cemetron, não permitindo que nenhum servidor trabalhe.
Educação - O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Rondônia (Sintero) realizou à tarde uma concentração para discutir a ação judicial que pede a reintegração dos servidores demitidos. A educação abrange o maior número de servidores do estado: são 17.700. Deste setor, foram demitidos 6.480 funcionários, contratados no período de 83 a 88. O presidente do Sintero, José Wildes Brito, afirmou que o ano letivo será comprometido caso o governador não reveja as demissões. "A medida resultou numa diminuição de cerca de 40% do quadro da Educação", disse Brito.
O início do ano letivo, geralmente em 1º de fevereiro, foi marcado para 9 de março. "Com essas demissões, o governador está causando uma grande perturbação e muito desespero, como de muitas pessoas com 50 a 60 anos de idade, demitidas sumariamente
e que não têm nenhuma perspectiva de encontrar outro emprego", afirmou Brito.

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