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Servidores de Londrina protestam contra mudanças na aposentadoria

Manifestantes se reuniram em frente à prefeitura na manhã deste sábado (05) para pedir o adiamento da votação da reforma na Caapsml

Marcos Roman - Grupo Folha
Marcos Roman - Grupo Folha

 

Servidores de Londrina protestam contra mudanças na aposentadoria
 


Servidores municipais de Londrina realizaram um protesto em frente à prefeitura da cidade na manhã deste sábado (5). A manifestação reuniu aproximadamente 50 trabalhadores vinculados a diversas secretarias. Os protestantes se posicionaram contra a segunda etapa da Reforma da Previdência Social de Londrina e pediram que a votação do projeto de lei que prevê mudanças nas regras de aposentadorias do município seja adiada para o próximo ano. 



“Existe um rombo na Caapsml [Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais] de Londrina e a prefeitura quer que ele seja coberto apenas com retirada de direitos obtidos pelos servidores públicos ao longo dos anos”, reclamou Rosiclea Rodrigues da Silva, professora da rede municipal de ensino. Ela destacou que na pauta de reinvindicações estão o pedido de revisão de diversos itens que, caso o projeto seja aprovado pela Câmara, prejudicarão tanto trabalhadores que estão na ativa quanto os que já se aposentaram. 


 

Servidores de Londrina protestam contra mudanças na aposentadoria
 

 “Nesse ano já aumentaram nossa alíquota de contribuição para a aposentadoria de 11% para 14%. Agora querem reduzir o teto de isenção da alíquota para aposentados. O teto que hoje é de R$ 6 mil cairá para R$ 2 mil”, queixou-se. O grupo também se posicionou contra a venda de imóveis que pertencem à Caapsml e mudanças nas regras da aposentadoria. “Do jeito que colocaram no projeto todo mundo terá que trabalhar muitos anos a mais para conseguir se aposentar com 100% do salário. Querem mudar até os direitos previstos na Constituição Federal, que determina que professores podem se aposentar com salário integral ao completar 25 anos de trabalho”, detalhou Rosiclea. 



Segundo ela, parte do grupo que nas redes sociais conta com 721 membros também programou uma carreata que percorrerá várias ruas da cidade a partir das 13 horas. A manifestação não conta com apoio do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv). “Somos uma entidade que representa 13 mil servidores públicos. Essa é uma manifestação independente organizada por trabalhadores que não fazem parte da luta sindical. O sindicato também é contra a votação da reforma da Caapsml. Mas como entidade legalmente constituída, precisamos agir dentro da lei. A gente está iniciando um processo de negociação”, afirmou Marcelo, Urbaneja, presidente do Sindiserv. 



Ele adiantou que o primeiro passo será uma conversa pré-agendada com o prefeito para amanhã (6), às 16 horas. “Esse encontro ainda precisa ser confirmado, mas estamos com uma expectativa positiva em relação a esse primeiro diálogo. Somente depois de esgotadas todas as possibilidades de acordo é que tomaremos outros passos, como manifestações e greve”, afirmou.  



Urbaneja explicou que a prefeitura pretende apresentar, ainda este ano, quatro projetos de lei na Câmara de Vereadores para modificar várias cláusulas relacionadas à aposentadoria dos servidores. O objetivo das propostas de mudanças, segundo ele, é cobrir um déficit de R$ 2,2 bilhões que seria acumulado pela Caapsml nos próximos 75 anos.  



“Com a reforma da Caapsml, a prefeitura pretende cobrir parte deste déficit. O problema é que até agora só apresentaram propostas que prejudicam os trabalhadores, como aumento da alíquota de contribuição para a aposentadoria, redução de salários dos aposentados de também do valor pago a pensionistas”, enfatizou Urbaneja.  De acordo com ele, os cortes previstos na reforma representariam uma redução de cerca de R$ 1 bilhão no déficit que está sendo projetado. “Até agora a prefeitura não disse qual será a contribuição dela para a quitação desta dívida que existe há 15 anos”, questionou. 



O presidente do Sindserv afirmou que as negociações também preveem conversas com integrantes da Câmara. “Vamos lutar conversar com o prefeito e depois com os vereadores. Trata-se de um estudo complexo que demanda muita discussão e negociações. Não podemos aceitar que o prefeito que teve três anos e onze meses para apresentar essa reforma tente aprová-la duas semanas antes do recesso da Câmara, sem ter tido nenhuma conversa antes com os servidores”, concluiu. 

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