Campinas, SP, 30 (AE) - Os servidores municipais de Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira (03). A medida foi decidida em assembléia que reuniu cerca de dois mil dos 13 mil funcionários, ontem à noite (29), no saguão do Paço Municipal. A paralisação é um protesto contra o corte de benefícios trabalhistas e a ameaça de demissões, que pode atingir cinco mil trabalhadores.
Por meio de decreto publicado no início da semana, o prefeito Chico Amaral (PPB) cortou uma série de benefícios, como adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, subsídio para planos de saúde e auxílio funeral. A administração municipal também decidiu suspender o pagamento de horas extras, que passarão a ser compensadas com folgas. Em outros dois projetos de lei, que serão votados na próxima semana, o prefeito propõe a extinção da licença prêmio e corte do auxílio transporte e vale refeição.
"Não vamos admitir que os servidores sejam lesados em seus direitos", afirmou hoje o diretor do Sindicato dos Servidores Municipais, Marcos Leme. Segundo ele, a categoria está mobilizada para interromper os serviços em todos os setores da prefeitura. O sindicalista afirmou que a greve atingirá também setores essenciais, como o atendimento no Hospital Municipal Mário Gatti, uma das únicas instituições na cidade que atende pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
As medidas anunciadas pelo prefeito foram propostas pelo secretário municipal de Finanças, Alvaro Iglesias. De acordo com ele, os cortes são necessários para equilibrar as contas da prefeitura. Atualmente, de acordo com o secretário, a folha de pagamentos gira em torno de R$ 28 milhões por mês, o que representa 82% das despesas globais. Com os cortes e as demissões Iglesias espera reduzir os gastos em R$ 8 milhões mensais.

mockup