Campinas, SP, 31 (AE) - Os servidores municipais de Campinas, no interior de São Paulo, ampliaram hoje a greve da categoria, que passou a contar com a adesão dos funcionários da rede de ensino, operações, obras e Paço Municipal. A paralisação foi iniciada há 20 dias pelos trabalhadores do setor de saúde, que estão atendendo apenas os casos de urgência e emergência. No sábado (29), o Sindicato dos Funcionários Públicos de Campinas iniciou um abaixo-assinado para pedir o impeachement do prefeito Chico Amaral (PPB).
Na avaliação do sindicato, 60% dos 3 mil funcionários que atuam na educação aderiram ao movimento. A rede é formada por 199 unidades, entre creches e escolas do ensino fundamental. Até o fim da tarde, não havia um levantamento sobre a situação no setor de operações e obras, mas a estimativa da entidade era de que 30% dos trabalhadores haviam aderido ao movimento. A administração municipal não divulgou nenhum balanço sobre a greve.
Os servidores protestam contra o corte de benefícios e o parcelamento dos salários de maio. Segundo a diretora do sindicato Maria de Lourdes Lemos Saldini, a suspensão de alguns benefícios, como convênio médico e adicionais por insalubridade e periculosidade, provocou uma redução de até 60% nos salários dos trabalhadores.
O servidor Valdecir Caetano, por exemplo, que trabalha no serviço de coleta de lixo, esperava receber 393 reais na sexta-feira (28), mas, ao verificar o holerite, constatou que a prefeitura havia depositado na conta apenas 17 reais.
"Nossa situação é de desesepro", disse a sindicalista. Segundo ela, a entidade decidiu organizar uma campanha para arrecadar cestas básicas. As doações serão destinadas aos trabalhadores que atravessam dificuldades financeiras em consequência das medidas adotadas pela prefeitura. A entidade também pedirá apoio a supermercados e realizará pedágios para arrecadação de fundos.
Hoje, os grevistas realizaram uma passeata pelas ruas centrais. Durante a manifestação, eles buscavam adesões ao abaixo-assinado que pedirá a cassação do mandato do prefeito. Segundo Maria de Lourdes, o documento contava com cerca de 17 mil assinaturas. "Também queremos o apoio do Poder Judiciário porque as medidas adotadas pela prefeitura são ilegais", afirmou a sindicalista.
Com a paralisação no setor de saúde, pelo menos 3 mil pacientes que procuram os hospitais e postos de saúde municipais todos os dias estão sem atendimento médico. A situação é mais crítica no Hospital Mário Gatti, onde 70% dos funcionários aderiram ao movimento.
Das 18 cirurgias que estavam previstas para hoje, apenas quatro foram realizadas. Os hospitais Celso Pierro, administrado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp), e de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) são as únicas opções que restaram aos pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). As duas instituições, porém, podem entrar em colapso a qualquer momento por causa do aumento na demanda.
Por causa da greve, o Celso Pierro suspendeu cerca de cem cirurgias nos últimos dias. A quantidade de consultas aumentou em 47%, o que elevou o número de atendimentos para cerca de 700 por dia. No HC da Unicamp, o quadro também é preocupante. Hoje, o pronto-socorro trabalhava no limite da capacidade.

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