Servidores da UEL param hoje; professores na quinta
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina Professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) aprovaram, em assembleia realizada na manhã de ontem no anfiteatro do Centro de Ciências Humanas (CCH), greve geral a partir de quinta-feira. Sem prazo para terminar, a greve deve prorrogar o início do ano letivo da instituição, previsto para o dia 19, afetando cerca de 18 mil estudantes. O quadro de servidores da UEL é composto por 1,6 mil professores e 3,8 mil técnicos administrativos.
De acordo com o presidente do Sindiprol/Aduel, Renato Lima Barbosa, o próximo passo será pressionar os deputados para a não aprovação do "pacotaço". Segundo ele, pelo menos um ônibus com professores iria para a Capital para se juntar aos servidores que protestam em frente à Assembleia Legislativa. "O clima em Curitiba é de tensão. Nunca se viu tantos policiais na assembleia. A pauta comum de todas as categorias é o pagamento do 1/3 das férias e a retirada de pauta do pacotaço", afirmou.
A expectativa é que o projeto seja discutido hoje em plenário. "Estamos nos mobilizando para debater o assunto com os deputados, para evitar os prejuízos na carreira dos professores das universidades do Paraná", acrescentou Barbosa. De acordo com o sindicato, outras manifestações começam a ganhar corpo no Estado. Na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a greve começa hoje. Já na Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), estão previstas para hoje reuniões em Jacarezinho e Bandeirantes para organizar as mobilizações.
Também na manhã de ontem, agentes universitários da UEL começaram um protesto no campus e seguiram para o Hospital Universitário (HU), na Zona Leste, que também será afetado, mantendo apenas os atendimentos de emergência. A greve dos agentes universitários, que possuem sindicato próprio, começa hoje. No HU, só serão atendidos pacientes encaminhados pelo Samu ou Siate, ou transferidos em regime de vaga zero, pela Central de Leitos. A orientação para pacientes que necessitam de consultas eletivas é que procurem outras unidades.
A diretoria do hospital realizaria reunião ontem com representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Técnicos Administrativos da UEL (Assuel), para definir o escalonamento dos plantões básicos que seriam mantidos para os atendimentos de urgência e dos pacientes já internados na unidade. O secretário da Assuel, Adão Brasilino, também criticou a falta de diálogo do governo. "Não há diálogo, inclusive estamos sendo impedidos de entrar na Assembleia Legislativa", pontuou.
Pela manhã, os servidores fizeram passeata que interditou uma das pistas da Avenida Roberto Koch, uma das mais importantes da Zona Leste. O técnico-administrativo Alexandre do Nascimento Marçal apontou como inaceitável o retrocesso de direitos que levaram 35 anos para serem adquiridos. "Estão menosprezando uma carreira tão bonita, sucateando as universidades. Como essas medidas de austeridade foram tomadas agora se até as eleições tudo estava em ordem?", questionou.
Com um nariz de palhaço, a agente universitária Marina Lemos lembrou a expressiva votação que o governador Beto Richa (PSDB) teve em Londrina e pediu mais respeito com a UEL. "Os repasses para a universidade estão diminuindo ano a ano. Isso reflete na qualidade do ensino e provoca o sucateamento da universidade", protestou. (Com informações de Rafael Fantin/Equipe Bonde)


