Servidores da UEL organizam paralisação
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terça-feira, 04 de maio de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Docentes e funcionários da Universidade Estadual de Londrina (UEL) devem fazer um dia de paralisação no próximo dia 12. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Técnico-Administrativos da UEL (Assuel), Itamar André Rodrigues do Nascimento, a paralisação é uma tentativa de retomar as negociações de reajuste salarial com o governo estadual, interrompidas no final de fevereiro. Caso isso não aconteça, explicou Nascimento, existe a possibilidade de ser deflagrada uma greve. A última greve da UEL, iniciada em setembro de 2001, durou quase seis meses, e tem reflexos ainda hoje com turmas com o calendário letivo atrasado.
O dia de paralisação deve acontecer também nas outras universidades estaduais, em Maringá (UEM), Cascavel (Unioeste), Ponta Grossa (UEPG) e Guarapuava (Unicentro). Nascimento explicou que a proposta de paralisação foi feita pelo comitê em defesa do ensino superior, que congrega os sindicatos de docentes e servidores das universidades estaduais. Em Londrina, a paralisação será decidida amanhã durante assembléias convocadas pela Assuel, Associação dos Docentes da UEL (Aduel) e Sindicato da Saúde (Sinsaúde), com funcionários do Hospital Universitário (HU). A UEL tem 3,6 mil servidores e 1,7 mil docentes.
A reivindicação da categoria é um reajuste de 62%. ''Isso se refere às perdas salariais de março de 1997 a maio de 2003, mas ainda temos que atualizar esse valor até 2004'', disse Nascimento. Ele explicou que na última greve, a categoria estava há oito anos sem reajuste e teve um aumento médio de 15%, ''que não supriu todas as perdas''.
O movimento não deve ter o apoio do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), que segundo Nascimento, não aprova a paralisação ''nesse momento''. ''Eles não acham que o momento é propício para greve e essa postura é muito ruim para nós, deixa o movimento dividido'', avaliou. Para o presidente da Aduel, Evaristo Colmán, a falta de apoio não inviabiliza a participação dos professores. ''Há muitos docentes insatisfeitos. Creio que no dia 12 a UEL vai parar'', afirmou.
Ontem, o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, disse através da sua assessoria de imprensa que não tem conhecimento da paralisação e que ''não há novidades'' a respeito de alguma retomada de negociação com as universidades estaduais. A reportagem da Folha não conseguiu contato com o presidente do Sindiprol, que estaria viajando.


