Brasília, 01 (AE) - Cerca de 4,5 mil funcionários da Novacap, empresa de urbanização do Distrito Federal, entraram em greve hoje por tempo indeterminado. A greve ocorre dois meses após o confronto entre trabalhadores e a Polícia Militar do DF, que matou o jardineiro José Ferreira da Silva, de 33 anos, e deixou dezenas de feridos. A paralisação é em represália ao governo do DF que decidiu prorrogar as negociações salariais na Novacap até o dia 11, informou o presidente do Sindicato dos Servidores e Empregados do DF (Sinser), C‹cero Rolla.
Os servidores reicindicam o pagamento do reajuste de 28 8% prometido pelo então candidato Joaquim Roriz (PMDB), em 1998, além da equiparação salarial com os funcionários da Terrecap. A categoria quer aumentar o valor do tíquete-alimentação e a manutenção do auxílio-creche e funeral. Segundo o presidente do Sindser, os trabalhadores só retornarão ao trabalho quando o governo brasiliense atender as reivindicações.
Com a greve da Novacap ficam paralisados todos os serviços de urbanização do DF. "Até o serviço de preparação da massa asfáltica utilizada na recuperação de ruas está parado", diz Rolla. Antes da greve, os servidores da Novacap se reuniram com o secretário-adjunto de Assuntos Sindicais do GDF, Ilair Antonio Tumelero, em busca de uma saída para o impasse. A reunião foi intermediada pelo Ministério Público do Trabalho, mas não houve acordo.
Segundo Tumelero, a direção da Novacap estava disposta a aumentar apenas o valor do tíquete-alimentação de R$ 4,50 para R$ 6,64. O secretério explicou que o GDF dobrou o valor do auxílio-creche e, apesar da greve, " o governo ainda tentará uma negociação".