Servidores acampam e fazem 'buzinaço' em frente à Fazenda
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Mariana Franco Ramos <br>Reportagem Local 
Curitiba Servidores públicos do Paraná, em sua maioria professores da rede estadual, estão acampados desde a noite de terça-feira em frente a uma das entradas da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), na Rua Brigadeiro Franco, esquina com a Avenida Vicente Machado, no centro de Curitiba. Eles protestam contra a proposta do governador Beto Richa (PSDB) de reajustar em 5%, de forma parcelada, os vencimentos do funcionalismo. O índice está abaixo da inflação dos últimos 12 meses, medida em 8,17% pelo IPCA.
Na manhã de ontem, os manifestantes fizeram um cordão humano para impedir a entrada dos funcionários da Sefa, atitude que prometem repetir hoje e amanhã. A assessoria de imprensa da pasta confirmou que, por conta do protesto, ninguém obteve acesso ao prédio. O órgão não soube dizer quando o atendimento voltará ao normal. Por enquanto, também não há previsão de que o secretário Mauro Ricardo Costa receba os manifestantes. A negociação relativa à data-base tem sido conduzida em conjunto com a Casa Civil. A expectativa é de que a mensagem seja enviada e votada pela Assembleia Legislativa (AL) até o final de maio.
Munidos de faixas com dizeres como "quem não buzinar, gostou do IPVA" e "buzine se você não gostou do aumento no ICMS", os docentes ganharam, durante a tarde, o apoio de motoristas que passavam pelo local. "Até agora, o Beto não sentou com a gente para conversar. Ele só manda pessoas que não têm autoridade alguma para negociar", reclamou Eliane Aparecida Portes, dirigente da APP-Sindicato em Curitiba. Pelo menos 100 pessoas seguiam na concentração, sendo que, conforme os organizadores, houve picos de quase mil.
"Para onde foi o dinheiro do aumento dos impostos?", questionou a professora Maria Viviane, que leciona no Colégio Estadual do Paraná. A docente chegou à Sefa por volta de 13 horas, para substituir o marido e colega, que ficou com a filha do casal no período da manhã.
Em abril deste ano, entraram em vigor as medidas do chamado "pacotaço fiscal" do Executivo, que incluíram 40% de reajuste no imposto automotivo, de 2,5% para 3,5%, e 12% de acréscimo no tributo sobre circulação de mercadorias. Itens de consumo popular, caso de medicamentos, produtos de higiene e eletrodomésticos, passaram a ser taxados em 18% ou 25%.
SAÚDE
Apesar de não terem aderido à greve geral, como já fizeram os docentes das sete universidades estaduais e os agentes penitenciários, os trabalhadores da saúde também apoiaram a ação na Sefa. De acordo com Manoel Furlan, um dos diretores do SindSaúde, a ideia é manter a mobilização ao menos até a próxima terça-feira, quando ocorre nova assembleia da categoria. Se não houver flexibilização quanto ao reajuste de 8,17%, diz, há a possibilidade de se partir para a paralisação.


