Brasília, 14 (AE) - O funcionário da Novacap, José Ferreira da Silva, morto por policiais militares durante manifestação no dia 2 , foi atingido por 17 projéteis (chumbinhos existentes nos cartuchos de arma calibre 12) provenientes de dois disparos. O laudo do exame cadavérico do Instituto de Medicina Legal, divulgado hoje pelo Governo do Distrito Federal, mostra que um projétil atravessou o pulmão direito e se alojou na cavidade pleural direita, provocando a morte do manifestante.
Os chumbinhos do outro tiro atingiram a planta dos pés, as pernas, coxas e a bolsa escrotal de Silva. Havia no corpo do jardineiro 11 balins, desses seis estavam praticamente sem deformação, tinham forma esférica com diâmetro médio de cinco milímetros e foram encaminhados ao Instituto de Criminalística.
O disparo que matou Silva ocorreu "de cima para baixo" e ligeiramente da esquerda para a direita. O trabalhador perdeu muito sangue e acabou morrendo por asfixia. Segundo o perito do Instituto Médico Legal, Roberto Wanderley, não há como afirmar com exatidão a posição de Silva quando atingido pelo primeiro disparo. "No caso do segundo, que atingiu os membros inferiores
o mais provável é que o corpo se encontrava deitado, com os pés voltados na direção da pessoa que atirou", comentou. Está sendo investigada a possiblidade de ter ocorrido um terceiro disparo, ainda não confirmado, que teria causado so ferimentos na mão.

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